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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Belo Monte: Com meu dinheiro, não!


Novas manifestações contra a hidrelétrica de Belo Monte estão sendo convocadas em oito cidades de sete estados esta semana. No Rio de Janeiro, o ato deverá acontecer na quinta, dia 15, e nos demais locais no dia 17, sábado. Veja abaixo os links das convocatórias via facebook.

Um dos focos dos protestos de dezembro deve ser a campanha “Belo Monte: com meu dinheiro não!”, lançada na última semana pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre para pressionar os bancos a não participarem do financiamento da usina. “Sem dinheiro, não tem Belo Monte. Protestar contra o financiamento da hidrelétrica, pressionar seu banco, é uma forma eficaz e simples de ajudar na campanha contra este projeto insano”, afirma o Movimento.

Para auxiliar os ativistas nos estados, o MXVPS disponibiliza aqui alguns materiais que podem ser reproduzidos em banners, faixas e panfletos.

Ajude a divulgar, e caso saiba de alguma atividade em locais não listados ainda, envie as informações para campanhaxingu@gmail.com.

São Paulo, dia 17, concentração às 14 h no vão livre do MASP

Matéria vinda do blog do Movimento Xingu Vivo Para Sempre

Rosalvo Salgueiro

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Esquivel inaugura seu novo mural latino-americano


O argentino, Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel inaugurou seu novo mural "Eles O Reconheceram ao Partir o Pão", segundo o próprio Esquivel, "são pinceladas sobre um povo que confiando na força do amor continua buscando a Justiça e a Verdade."

A apresentação do trabalho foi realizada, no primeiro domingo de dezembro, 04/12/2011, durante um debate sobre processos por crimes contra a humanidade na voz de Ana Maria Careaga, diretora do Espaço para a Memória (IEM), e Jorge Auat, titular da Delegacia de Coordenação e Acompanhamento das Causas de Violações dos Direitos Humanos cometidas durante o Terrorismo de Estado, e o Padre Bernard Hughes.

Juntos analisaram os avanços alcançados e o estagio atual da causas, chamaram a atençãodos presentes sublinhando que o fundamental não são os processos em si, mas a retomada da construção do sonho interrompido.

"Enquanto repressores continuam a invocar a guerra como um último recurso para banalizar a morte em nome do progresso, este mural nos dá testemunho de vida, da nossa história de luta e solidariedade e esperança. O que se busca, não é apenas a conclusão dos processos, mas também dar continuidade aos sonhos que foram agredidos e aparentemente derrotados.”

No trabalho de aproximadamente 6 metros de comprimento, Esquivel fez um resgate dos principais militantes pela paz e uma reinterpretação simbólica de figuras religiosas nacionais e latino-americanas numa perspectiva popular e participativa.

O mural pode ser visto na Casa de Nazaré, que fica na rua Carlos Calvo, 3121 n Cidade de Buenos Aires.

Versão livre de Rosalvo Salgueiro

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Primeiro Encontro Popular para discutir RIO + 20, é realizado em São Paulo


No último domingo, 30 de outubro, cerca de 200 pessoas representando 60 entidades e movimentos populares , entre eles O SERPAJ-Brasil, o Movimento Terra de Deus, Terra de Todos, Secretariado de Mulheres do PSDB e o SIDIFONTES – Sindicato dos Trabalhadores em Fontes Magnética e Ionizantes, se reuniram na sede do Sindicato dos Engenheiros, na região central da cidade de São Paulo para discutir apresentar propostas para a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá no Rio de Janeiro, vinte anos após a Rio 92. O evento tinha caráter local, porém despertou interesse internacional e a Infoe da Alemanha mandou um representante, o peruano Cesar Villegas.

O encontro constituiu-se de três palestras básicas seguidas de discussões dos temas propostos:

Diagnóstico da Situação atual do Meio Ambiente no Brasil em Face dos Compromissos assumidos desde a Rio 92. Tema desenvolvido pelo ambientalista e Deputado Federal Mendes Thame.

Thame fez um histórico traçando um paralelo com as duas Conferências anteriores, Estocolmo 72 e Rio 92, se disse preocupado com o tempo escasso para a discussão, três dias, as conferências anteriores foram 11 de dias cada uma. Disse ainda que na pauta estão temas que não estão estritamente relacionados à salvação do planeta, tais como, a superação da miséria. Para Thame a Rio mais 20 corre grande risco de ser mais uma declaração genérica de intenções e não atingir os objetivos para os quais foi convocada, repetindo assim o fiasco que foram Copenhague e Acapulco.

Presente e Futuro do Parque Nacional do Xingu e Seus Povos.

O jovem Noel Villas Boas, filho do saudoso sertanista Orlando Villas Boas, fez uma interessante abordagem da Política Indigenista Brasileira e se mostrou preocupado pelo descaso e mesmo pela ação orquestrada do governo brasileiro contra as populações indígenas. Disse que o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal, vê o índio como um entrave ao desenvolvimento e como tal opta pela destruição pura e simples dos povos indígenas.

“ O futuro do Xingu é sombrio e não vejo muita esperança, o que pode salvar os nossos irmãos índios é a união de todos e a mobilização, principalmente agora que perdemos históricos defensores dos índios brasileiros como os irmão Villas Boas” Disse ainda que a FUNAI – Fundação Nacional do Índio, em lugar de defender os índios, trabalha contra eles, e citou as licenças apressadas que o órgão federal vem concedendo para a construção de hidrelétricas nas região amazônica, e em terras indígenas, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Produção de Energia Para o Desenvolvimento Sustentável

O Deputado Federal José Aníbal, Secretário de Energia do Estado de São Paulo, fez uma explanação da produção de energia no Estado de São Paulo, ressaltou o incremento do uso das biomassas, principalmente o bagaço e palha de cana de açúcar para essa produção, falou que está elaborando um inventário da capacidade do Estado para o aproveitamento do potencial energético eólico e solar. Anunciou que já no próximo ano algumas praças e parques da cidade de São Paulo serão iluminados com energia extraída do sol a partir de células fotovoltaicas. Encerrou dizendo que falava apenas por São Paulo, mas que esse exemplo pode perfeitamente ser aplicado como alternativa ou como complemento da produção por hidrelétricas na amazônia.

Como contribuição ao debate, houve intensa troca de opiniões dos presentes, como destaque pode-se citar a participação dos índios do Xingu representados pelo Cacique Kunué Kalapalo e sua filha a jovem guerreira Sany Kalapalo, que fez uma intervenção brilhante, extremamente lúcida e com propostas factíveis. A jovem xinguana centrou suas palavras contra a principal obra do PAC, a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, chamou a atenção para o custo da obra que foi previsto inicialmente em sete bilhões de reais, depois passou para 16 bilhões, depois para 19 bilhões e já está em 30 bilhões, e ninguém pode afirmar ao certo em quanto ficará o custo final essa obra genocida.

“... esse é dinheiro do povo brasileiro, e nem eu nem vocês autorizamos gastar assim o nosso dinheiro. Outra coisa que o governo do PT usa pra enganar o povo brasileiro é dizer que a obra de Belo Monte vai gerar muitos empregos. Vai sim, só durante a construção, depois o que vai ter é muito desemprego na região! Quando esse dia chegar toda aquela gente vai viver de que? Perguntou, e ensaiou uma resposta. Vai passar fome ou vai destruir ainda mais a floresta para plantar alimentos”, e terminou perguntando: Isso é desenvolvimento, isso é sustentável?

O evento contou com a ativa e destacada participação do Deputado Federal Ricardo Tripoli que é o Relator Oficial do Parlamento Brasileiro para a Rio + 20. Tripoli disse que o governo brasileiro certamente será cobrado em razão dos compromissos assumidos, e que infelizmente tem resultado pífio para mostrar. Tripolo disse ainda que iniciativas como essas dos movimentos populares de São Paulo são muito importantes e vão contribuir em muito para o seu Relatório a ser apresentado na Conferência.

Os trabalhos foram coordenado pelo filósofo Rosalvo Salgueiro, coordenador Nacional do Serviço Paz e Justiça – SERPAJ-Brasil, que criticou duramente o Comitê Facilitador que foi criado para facilitar a participação da Sociedade Civil na Conferência da ONU, mas que na verdade, por estar integradas, quase que exclusivamente, por OGNs e movimentos da base de aliada do governo, tem dificultado a participação que deveria facilitar.

“Esse comitê “facilitador” tem feito todo esforço de dificultar a participação da Sociedade Civil, está mesmo é manipulando para que a sociedade não apresente um diagnóstico real da situação que certamente será contrário ao discurso e aos interesses do PT e seu governo. Esperamos trabalhar em conjunto e fazer propostas unitárias da Sociedade Civil, mas se esse comitê insistir em que só eles é que representa a sociedade, haverá racha”, preconizou!

O ato foi encerrado com a apresentação de uma dança pelo Cacique Kunué que convidou Rosalvo Salgueiro que participou um pouco desajeitado mas foi até o fim da apresentação, sendo a dupla, muito aplaudida no final, e em clima de absoluto congraçamento entre todos os presentes.

Outros eventos serão convocados, inclusive a participação presencial no Rio de Janeiro em junho de 2012.

Texto da Equipe de redação do SERPAJ-Brasil e foto de Cleber Dias


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Belo Monte: Justiça Federal suspende novamente as obras da usina!


Na última terça feira de setembro, dia 27, o juiz Carlos Eduardo Castro Martins da 9ª Vara da Justiça Federal do Pará, concedeu liminar determinando a imediata suspensão das obras de construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Pela decisão, no entanto, ficam suspensas apenas as atividades que interferem diretamente no Rio Xingu, podendo a continuar a instalação dos canteiros de obras por não interferirem no curso d’água, por enquanto.

A decisão foi proferida numa ação proposta pela Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (Acepoat), e proíbe o consórcio responsável pelas obras de construção da usina de promover qualquer alteração do no leito do Rio Xingu, como “implantação de porto, explosões, implantação de barragens, escavação de canais, enfim, qualquer obra que venha a interferir no curso natural do Rio Xingu com conseqüente alteração ictiológica.”

Noutro trecho da decisão, diz o juiz: "Ora, não é razoável permitir que as inúmeras famílias, cujo sustento depende exclusivamente da pesca de peixes ornamentais realizada no Rio Xingu, sejam afetadas diretamente pelas obras da hidrelétrica, ficando desde já impedidas de praticar sua atividade de subsistência, sem a imediata compensação dos danos. O projeto de aqüicultura que será implantado no inaceitável prazo de 10 anos, ao menos em uma análise superficial, não garantirá aos pescadores a manutenção das suas atividades durante tal período, mormente porque a licença de implantação das etapas que darão início à construção da usina já foi expedida pelo Ibama em junho de 2011".

Para o caso de descumprimento da decisão liminar, o juiz estabeleceu multa diária de R$ 200 mil. O Consórcio ainda pode recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região que tem sede em Brasília.

Esta decisão da Justiça Federal do Pará surpreendeu o governo que tirou do juiz de Altamira, cidade onde fica a usina, a competência para julgar a ações relacionadas com Belo Monte, exatamente na esperança de ter decisões que lhes fossem favoráveis.

A Usina de Belo Monte vem se transformando num símbolo da luta em defesa da da natureza e dos povos da região amazônica. Por todo o mundo se multiplicam manifestações de solidariedade ao povo do Xingu, indígenas ou não.

http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=fYPx3syyIR0

Mais manifestações

Para o dia 15 de outubro às 13 horas, organizações sociais e movimentos populares que lutam contra a barragem de Belo Monte e em defesa do Rio Xingu, assim como outras barragens que estão sendo construídas ou projetadas para a Amazônia, estão organizando uma nova rodada de manifestações. Em São Paulo, local escolhido é a Praça da República, local de fácil acesso,. A manifestação será liderada pelos índios xinguanos Cacique Kunué Kalapalo e sua filha, a jovem guerreira Sany Kalapalo.

Por Rosalvo Salgueiro

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Em mutirão, superando a pobreza!

Construindo moradias dignas em sistema de mutirão e auto gestão


Olhando para a população da periferia de São Paulo, podemos notar que a pobreza e a miséria estão estampadas na cara de grande parte da população brasileira e podem ser vistas nitidamente de várias formas. Pode ser notada pelas roupas que veste, pela quantidade de dentes que tem na boca ou pelo lugar onde mora.

Aqui abordaremos uma dessas caras, a pobreza e a luta do povo pobre pra superá-la

No início dos anos oitenta, a cidade de São Paulo atingia o máximo de seu crescimento desordenado que vinha de um processo migratório interno havia gerado um verdadeiro caos urbano.

Funda em 1554 por um grupo de aproximadamente cem pessoas a cidade teve um crescimento lento nos primeiros trezentos anos, assim é que em 1870 São Paulo contava com apenas 31.835 pessoas, a partir daí experimentou um crescimento vertiginoso de forma que em 1970 já contava com mais de 6 milhões de pessoas e continuou crescendo, em 1980 contava-se mais de 9 milhões de habitantes e hoje está muito próximo da casa dos 11 milhões. A mancha urbana que compõe a região metropolitana de São Paulo conta hoje com mais de 20 milhões de habitantes1.

Esse crescimento pode ser explicado por várias razões, mas pelo menos quatro delas podem ser tomadas como as principais:

a) - Sua localização geográfica que se situa no entroncamento para o porto de Santos, por onde escoava toda a produção das fazendas cafeeira e de cana de açúcar. O Porto de Santos ainda hoje é a principal porta de saída dos produtos brasileiros, assim como a entrada das mercadorias que o Brasil importa.

b) – A libertação dos escravos no Brasil que ocorreu em 13 de maio de 1888, que forçou os fazendeiros a substituir a mão de obra escrava por colonos estrangeiros, principalmente europeus, os italianos, os espanhóis e alemães e também os Japoneses que se fixaram majoritariamente no Estado de São Paulo.

c) – A interrupção das importações de mercadorias, principalmente da Europa em razão das duas grandes guerras mundiais, em 1918 e 1945, fez com que se desenvolvesse firmemente a industrialização do Brasil, principalmente na cidade de São Paulo. Nos anos 50 a instalação da indústria automobilística, Ford, Chevrolet e Wolkz Wagen, na região conhecida como ABC, na periferia da Grande São Paulo.

d) – A construção civil foi e é outra matriz de produção que ao longo do tempo funcionou como força de atração de migração interna, principalmente dos nordestinos que para cá vieram para trabalhar e buscar melhores condições de vida e desenvolvimento pessoal e familiar.

Durante muitas décadas todos os dias chegavam a São Paulo dezenas de milhares de pessoas vindas de todas as partes do país e do mundo e aqui fixavam residências, provocando um extraordinário crescimento desordenado da cidade, multiplicando as favelas e gerando um caótico zoneamento urbano resultado de loteamentos clandestinos que evidentemente não obedeciam qualquer legislação quanto ao traçado urbano deixando enormes contingentes populacionais vivendo em condições subumanas em bairros sem um mínimo de infra-estrutura, como pavimentação das ruas, saneamento básico, sem coleta de lixo, sem eletricidade.


Nasce o mutirão:

No ano de 1983, Dom Angélico Sândalo Bernardino bispo do bairro de São Miguel Paulista, periferia leste de São Paulo e um dos maiores expoentes a Teologia da Libertação, decidiu por a Igreja em firme ação de apoio às famílias moradoras nas favelas da região. Num retiro reuniu os agentes das pastorais de Defesa dos Direitos Humanos e da Pastoral da Periferia e propôs-lhes a criação de um grande movimento reivindicatório de moradias dignas para todos os moradores das favelas ou toda moradia que pudesse ser considera subnormal, fez circular nas Missas dominicais que a Igreja estaria dando início a um movimento que visava pressionar o governo para criar uma política pública de moradia popular que fosse digna do ser humano e contemplasse as camadas mais pobres da população, em apenas um fim de semana, nos finais das missas foram inscritas mais três mil famílias.

Começou então um ciclo de reuniões, onde os interessados recebiam orientação e esclarecimentos sobre os direitos naturais, e ganhavam consciência crítica sobre os programas governamentais, visto que não atendiam as famílias de mais baixa renda, aquelas situadas na faixa abaixo dos três salários mínimos.

O passo seguinte foi colocar os próprios interessados para identificar os vazios urbanos da região que pudessem comportar a construção de conjuntos habitacionais populares. Findo esse processo, que durou seis meses, foi marcado um grande encontro com o então Prefeito Mário Covas, onde o Dom Angélico em memorável sermão que falava da “Terra Prometida”, apresentou ao prefeito a gente sem terra e a terra sem gente à ocupá-la e propôs a criação de um amplo programa de habitação popular. O prefeito assumiu o compromisso e teve assim início o movimento popular de moradia na cidade de São Paulo.

A experiência se multiplicou e logo outras igrejas e grupos políticos entraram no processo reivindicatório que ficou conhecido como a luta pela moradia. Hoje existe na Grande São Paulo, um grande número de associações e movimentos que atuam na organização das famílias para a construção da casa própria, que é o principal sonho do povo brasileiro.

Merece destaque nesse processo de incorporação nas lutas por moradia popular o papel da Igreja Católica Apostólica Brasileira que na pessoa do bispo Dom Geraldo Albano de Freitas, também ligado à Teologia da Libertação, articulou e fundou o Movimento Terra de Deus, Terra de Todos, que é hoje uma das principais forças na luta pela reforma urbana em São Paulo.

Diante das reivindicações dos movimentos, o governo freqüentemente afirmava não ter recursos financeiros para tanto, foi então que os movimentos propuseram o sistema de mutirão: O governo providencia a terra e a infra-estrutura, arruamento, água e esgoto, luz além do material de construção e assessoria técnica, e as famílias constroem em sistema de ajuda mútua as próprias casas. O prefeito Mário Covas concordou e tiveram então inícios os primeiros conjuntos. Esta experiência foi abandonada pelo prefeito seguinte, Jânio Quadros e retomada em 1989, pela prefeita Luiza Erundina, então eleita pelo PT (Partido dos Trabalhadores), que iniciou Por esse sistema a construção de dez mil casas, mas infelizmente terminou seu governo sem concluir nenhum desses conjuntos e a experiência foi novamente abandonada pelos prefeitos seguintes.

Com a eleição de Mario Covas para o governo do Estado de São Paulo em 1994 o mutirão ganhou status de política pública no Programa Paulista de Mutirão e Autogestão, criado pela lei estadual nº 1942/95 e que destina anualmente recursos orçamentários para o programa.

O mutirão conta com uma assessoria técnica em pelo menos nas áreas: contábil e administração, jurídica, engenharia e arquitetura e ainda em Serviço Social. Esta assessoria técnica é escolhida e contratada pela associação e está prevista no convênio para garantir a qualidade das construções.

Inicialmente construíam-se apenas casinhas, hoje os mutirões constroem edifício de até sete andares e já construiu mais de 70 mil unidades habitacionais em todo o Estado

Assim, pode dizer-se que o mutirão é um sistema onde os próprios moradores é que constroem as casas e apartamento envolvendo toda a família nesse esforço coletivo e viabilizando a casa própria pra as famílias de baixa renda, inclusive para aquelas que ganham menos de um salário mínimo.

Por esse sistema o Estado celebra convênios com as associações e movimentos populares, através do qual o governo repassa os recursos financeiros diretamente às associações que administram a construção em todas as suas fazes, que vão da escolha do terreno à entrega final dos apartamentos prontos para morar.

Não há uma força hegemônica

Diferentemente da luta pela reforma agrária que no Brasil tem uma força hegemônica, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Na cidade não há uma força equivalente, existem sim, pelo menos dez grupos conhecidos como federações de associações que atuam fortemente e são muito representativos, cada um com sua peculiaridade política e ideológica, dentre eles está o Movimento Terra de Deus Terra de Todos que tem uma ligação histórica com a Igreja Católica Apostólica Brasileira - ICAB.

Os vários movimentos, apesar das diferenças, conseguem se unir para reivindicar e apresentar projetos de políticas públicas para o setor; foi nesse processo que nasceu o Programa Paulista de Mutirão e Auto – Gestão do governo do Estado de São Paulo em 1994, época do governo social democrata de Mario Covas, e que já construiu mais de 70 mil casas já mencionados.

A experiência tem mostrado que o custo das moradias construídas em sistema de mutirão fica entre sessenta a setenta por cento do das construtoras, e a qualidade é muito superior. No mutirão o papel da mulher é fundamental, pois as pessoas que se envolvem e perseveram nesse projeto são em sua maioria mulheres, muitas vezes os homens têm dificuldades de acreditar na força da ação coletiva ou não se dispõem a trabalhar todos os fins de semana durante dois ou três anos, tempo que normalmente dura a construção dos empreendimentos.

A força da mulher

A presença da mulher é clara e preponderante em todas as áreas do mutirão, desde a administração, assessoria técnica, aos trabalhos menos prováveis, como eletricista, encanador, pedreiro, mestre de obras e outros.

Antes de iniciar o trabalho de construção propriamente dito, os mutirantes se reúnem em assembleia para elaborar discutir e aprovar um documento chamado “Regulamento de Obras” que contem as normas de segurança e qualidade do empreendimento e as regras de convivência e desenvolvimento de todo o processo.

Pelo regulamento cada família participante do mutirão deve dar pelo menos 16 horas de trabalho por semana que podem ser executadas por qualquer membro maior da família que vá residir no imóvel construído pelo mutirão. No mutirão há a possibilidade de todos trabalharem, mesmo os deficientes físicos e os idosos que desempenham atividades adequadas às suas forças e habilidades, aqueles que não conseguem desempenhar as atividades próprias da construção civil, como as de pedreiro, ajudante, encanador, eletricista e outras, atuam na distribuição de água nas frentes de trabalho, cozinha comunitária, apontamentos, porteiros ou como recepcionista.

O regulamento também prevê algumas comissões como a de compras, a de prestação de contas, a de prevenção de acidentes e outras que podem se formadas para o melhor andamento dos trabalhos e convivência.

Os casos de descumprimentos do regulamento implicam aplicação de penalidades que vão de uma simples advertência à própria exclusão da família participante, dependendo da gravidade da falta cometida.

Democracia e aprendizado

Todas as decisões importantes, absolutamente todas, são tomadas em assembléia depois de exaustivos processos de discussão. A assembléia discute e decide tudo, da escolha da cor dos prédios, à prestação mensal de contas à aplicação de penalidades.

Essa forma de participação é importante porque as pessoas sentem que estão elas próprias resolvendo seus problemas e não apenas recebendo um favor do governo. Ao final do processo, a casa tem sabor de conquista e não de dádiva, o mutirante é agradecido aos companheiros que ajudaram a construir sua moradia e não se sente em dívida ou obrigação com algum político “bonzinho”, é o exercício da cidadania na prática.

Depois de dois ou três anos de convivência, período que dura a construção, os mutirantes aprendem que tem direitos, responsabilidades e obrigações para com a comunidade, e efetivamente passam não só respeitá-los como exigi-los de si próprio e dos companheiros.


O mutirão não é assistencialista

Um conjunto habitacional construído em sistema de mutirão tem uma diferença básica de outros conjuntos feitos por construtoras; no mutirão todos os moradores têm uma história comum de pelo menos três a quatro anos, sonharam juntos, sofreram juntos e se alegram juntos, isto garante maior solidariedade e coesão ao grupo.

A experiência mostra que a administração de condomínios de conjuntos construídos em mutirão é mais tranqüila e o índice de inadimplência e significativamente mais baixo, além de facilitar o trabalho comunitário depois da ocupação, tanto com as famílias como com as crianças e a juventude.

Outro ponto que comumente se observa é que, não tendo mais aluguel a pagar logo a família muda de patamar social, melhora seu padrão de vida.

O mutirão é um programa social verdadeiramente emancipatório e que valoriza o que as pessoas têm de melhor, não é absolutamente nada assistencialista. No mutirão, não há lugar para a preguiça ou acomodação!

A população é chamada a tomar parte efetiva na administração e não apenas a discutir o orçamento, a autogestão coloca nas mãos das associações as decisões financeiras e administrativas de todas as etapas da construção. Para se ter uma idéia de grandeza, no ano de 1998 as associações administraram um total de 360 milhões de reais, que à época correspondia a 360 milhões de dólares.

Os resultados são absolutamente positivos em todos os pontos que se queira avaliar, administrativa, financeira, política e socialmente falando.

Por: Rosalvo Salgueiro

domingo, 21 de agosto de 2011

Mais de mil pessoas participam, em São Paulo, de ato contra Belo Monte

O sábado 20 de agosto, amanheceu muito frio e chuvoso em São Paulo, mesmo assim não tirou o ânimo das mais de mil pessoas que foram à Av. Paulista protestar contra a construção de Usina

Hidrelétrica de Belo Monte.

Os organizadores da manifestação informaram que duas mil pessoas participaram do evento, entretanto, a polícia militar que tem um método pra calcular a participação que leva em conta a área tomada pelos manifestantes e o número de pessoas por metro quadrado, estimou em mil participantes.

Os manifestantes começaram a se concentrar no vão livre do Museu de Arte de São Paulo por volta da 12 horas, sob uma fina chuva e um frio cortante, Foram chegando e conversando sobre a evolução das manifestações que simultaneamente aconteciam por todo o globo.

A manifestação reuniu estudantes e professores universitários, ambientalistas, indígenas e integrantes dos movimentos populares da periferia da cidade, principalmente de luta por moradia e reforma urbana, como o Movimento Terra de Deus, Terra de Todos.

Com cartazes e gritando palavras de ordens, os manifestantes pediam a paralisação das obras da usina, e se mostravam dispostos a radicalizar as ações. Ambientalistas e índios da região do Xingu defenderam, inclusive, a ocupação do canteiro de obras da usina, no Pará.

O cacique kayapó Megaron Txucarramãe que veio a São Paulo especialmente para participar da manifestação, disse que "o governo não ouve nem respeita os índios, que são os primeiros e os mais prejudicados por essa barragem”.

Para coordenador do Serviço Paz e Justiça SERPAJ-Brasil, Rosalvo Salgueiro, em Belo Monte está plenamente tipificado o crime de genocídio contra os povos indígenas, na forma prevista pelo art. 6º.a.b e c, do Estatuto do Tribunal Penal Internacional, e disse: "a presidente Dilma Roussef e demais autoridades governamentais e executivos envolvidos na construção dessa obra podem ser pessoalmente responsabilizados por esse crime.”

A manifestação consistiu, além da concentração no vão do MASP, numa caminhada pela Av. Paulista, que começou por volta das 14h30m e foi até a Rua Bela Cintra, e terminou por volta da 17 horas em frente ao escritório regional do IBAM (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).


Segundo os organizadores, liderados pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre, nos dia 20, 21 e 22 acontecerão manifestações por todo o país e em todos os continentes. “Estão confirmadas manifestações na Alemanha, França, Portugal, Inglaterra, Holanda, Escócia, País de Gales, Turquia, Canadá, Estados Unidos, México, Taiwan e Austrália. A maioria das manifestações nesses países acontecerão em frente à embaixada Brasileira e m cada um desses países.


Por: Cleber Dias

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dia mundial de lutas em defesa dos povos, da floresta e dos rios da Amazônia


20 de agosto de 2011

No próximo dia 20 de agosto às 13 horas,um sábado, no vão livre do MASP, na AV. Paulista, os movimentos ambientais, movimentos populares e de Defesa dos Direitos Humanos de São Paulo farão uma manifestação contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O ato é parte de uma mobilização mundial que está sendo articulada para enfrentar as constantes agressões que a natureza vem sofrendo em todo o planeta com consequências nefastas e ainda não dimensionadas para a vida na TERRA.

Para construir essa usina, será formado um lago artificial que cobrirá 516 km2 da floresta amazônica, além do mais, serão abertos dois canais de 500 metros de largura por 35 km de comprimento cada um, em plena selva, que desviarão o Rio Xingu do seu curso natural deixando uma alça de mais de 100 km completamente seca, afetando as famílias ribeirinhas e os índios que vivem há milênios no lugar.

Essa barragem não é a única prevista ou em execução na região, só no Rio Teles Pires, no Mato Grosso, serão construídas outras seis barragens.

Não há dúvidas que esse “rosário” de barragens fatalmente provocará aquecimento global e desequilibrará o clima em todo o PLANETA. A hora de agir é agora, depois poderá ser tarde demais!

Rosalvo Salgueiro

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Belo Monte: Estudantes, sindicalistas e movimentos sociais vão às ruas contra a usina!

http://www.youtube.com/watch?v=On0Xaqd8QDs&feature=related

No dia 28/07/2011, estudantes, ambientalistas, sindicalistas, dirigentes partidários e lideranças de movimentos sociais foram em passeata às ruas de Belém, capital do Pará para protestar e demonstrar sua disposição de luta contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Com slogans bem articulados denunciavam o governo da presidente Dilma: “O, o, o lá vai dinheiro, Belo Monte é obra da Dilma pros empreiteiros...”, “Dilma, ai que vergonha, constrói Belo Monte e destrói a Amazônia...”, “ O Xingu é nosso e não abrimos mão. Não, não, não, Belo Monte Não!”, “ Alerta, alerta juventude, a luta é que muda a Dilma só ilude!”.

Os discursos foram todos no sentido de deixar claro o compromisso e disposição de enfrentar as autoridades e impedir a construção da usina. E mais palavras de ordem: “Um, dois, três, quatro, cinco mil, ou param Belo Monte ou paramos o Brasil!”

Os meios de comunicação de massa ainda estão ignorando manifestações como esta, porém a luta está crescendo e logo não poderá mais ser ignorada.

http://www.youtube.com/watch?v=3TqJZZml2pk&feature=related


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Marianne Spiller lança livro na Suíça para comemorar seus 30 anos de luta na América Latina

No dia 28 Abril 2011, quinta feira, a ABAI completou 30 anos de fundação, uma iniciativa da suíça Marianne Spiller Hadorn.
Marianne, é atualmente Coordenadora Nacional do SERPAJ-Brasil, e foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz em 2005 como uma das "mulheres da paz mundial", na ocasião foram indicadas 1000 mulheres de todos os rincões da terra.
Sua convicção de que a pobreza só pode ser enfrentada atacando-se as suas causas profundas, tem proporcionado a história e o desenvolvimento da ABAI. .
Para comemorar os 30 anos da ABAI, Marianne reuniu amigos e companheiros de lutas e compromissos para refletir e propor alternativas e caminhos para uma real superação da pobreza, essas refleções foram publicas num livro entitulado, Fome de Justiça: Perspectivas para a Superação da Pobreza, que foi lançado na Suiça com grande sucesso em maio último.

"Fome de Justiça" apresenta este compromisso e a biografia incomum do pioneiro traço Marianne Spiller-Hadorn. Ao mesmo tempo, abre o olhar do leitor para muito além da ABAI e de questões atuais, para a redução da pobreza e da cooperação para o desenvolvimento em um mundo globalizado. Marianne convidou mais de 20 pessoas da América do Sul e Europa para escrever sobre o direito à água, direito à moradia digna nas cidades, o movimento sem terra no Brasil e o papel da Suíça, sobre o poder transformador da sociedade civil, não-violenta luta de libertação e, finalmente, sobre a importância da agricultura na luta contra a pobreza.

Com textos de: Adolfo Pérez Esquivel, Rosmarie Bär, Rosalvo Salgueiro, Veronika Bennholdt-Thomsen, Irene Birnstiel-Hadorn, Dom Luiz Flávio Cappio, João Pedro Stedille, Peter Niggli, Rudolf H. Strahm e outros. Fotografias
recentes de Fridolin Walcher eHahn Michaela mostrar as cenas e atores no alívio da pobrezano Brasil. .





Gröbly Thomas (Ed.), FOME DE JUSTIÇA: Perspectivas de Superação da Pobreza. 352 páginas, heróis Verlag, Zurique 1011, CHF39,80, ISBN 978-3-905748-09-3. www.helden.ch



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Esquivel publica carta aberta a Barack Obama, questionando suas ações contra a Paz

Caro Barack,
Dirijo-me a você fraternalmente, e ao mesmo tempo, para expressar minha preocupação e indignação pela destruição e morte semeada em tantos países em nome da "liberdade e democracia", duas palavras que foram abusados ​​e despojados de sentido. Acabam justificando o assassinato, que é aclamado como se fosse um evento esportivo.

Indignação com a atitude de algumas partes da população dos EUA, de chefes de Estado na Europa e outros países que saíram em apoio do assassinato de Bin Laden, e por sua complacência em nome de uma suposta justiça. Não houve esforço para deter e julgá-lo por seus supostos crimes, o que gera mais dúvidas. O objetivo era assassiná-lo.

Os mortos não falam, eo medo de que o acusado poderia revelar verdades inconvenientes para os EUA foi transformada em assassinato, a fim de garantir que a "morte do cão poria fim à loucura", sem considerar que você tem apenas aumentou o .

Quando foi concedido o Prêmio Nobel, da qual somos titulares, enviei-lhe uma carta que dizia: "Barack, eu fiquei muito surpreso por você ter sido agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, mas agora que você tem, você deve usá-lo a serviço da paz entre os povos. Você tem toda a possibilidade de fazê-lo, para acabar com as guerras e começar a corrigir as graves crises em seu próprio país e do mundo ".

Infelizmente, porém, tem aumentado o ódio e traído os princípios assumidos durante sua campanha eleitoral antes do seu povo, como o fim das guerras no Afeganistão e no Iraque, o fechamento das prisões em Guantánamo, Cuba, e Abu Ghraib no Iraque. Pelo contrário, você decidiu começar outra guerra contra a Líbia, apoiada pela NATO e com a vergonhosa resolução da ONU para apoiá-lo. Esta organização elevado, diminuído e incapaz de pensar por si mesma, perdeu sua direção e é subjugado aos caprichos e interesses das potências dominantes.

A premissa básica da ONU é a defesa ea promoção de paz e dignidade entre os povos. Seu Preâmbulo começa por dizer: "Nós, os povos do mundo ...", agora ausente deste organismo.

Eu gostaria de lembrar um professor místico e que teve uma grande influência na minha vida: monge trapista Thomas Merton da Abadia de Getsêmani, em Kentucky.Merton certa vez escreveu que "A maior necessidade do nosso tempo é para limpar a enorme massa de lixo mental e emocional que atravancam as nossas mentes e faz de toda a vida política e social de uma doença em massa. Sem esta faxina, não podemos começar a ver. A menos que nós vemos, não podemos pensar ".

Barack, você era muito jovem, durante a guerra do Vietnã e talvez você não se lembra a luta de pessoas em todo os Estados Unidos na oposição a essa guerra.Tenho compartilhado com e acompanhou o veteranos da guerra do Vietnã, em particular, Brian Wilson e seus companheiros que também foram vítimas dessa guerra e de todas as guerras.

Thomas Merton, analisando um carimbo que tinha acabado de chegar, que disse: "O Exército dos EUA: chave para a paz", escreveu: "Nenhum exército é a chave para a paz ... Nenhuma nação 'grande' tem a chave para qualquer coisa, mas a guerra Power não tem nada. a ver com paz. Os homens mais construir o poder militar, mais eles violam a paz e destruí-lo. "

Devemos proteger a vida para deixar as futuras gerações uma sociedade mais justa e fraterna, re-estabelecer o equilíbrio com a Mãe Terra. Se não reagir para mudar a situação atual da arrogância suicida em que os povos estão sendo arrastada para baixo, será muito difícil escapar e ver a luz. A humanidade merece um destino melhor.

Você sabe, a esperança é como a flor de lótus que cresce no lodo e flores em todo seu esplendor, mostrando sua beleza. Leopoldo Marechal, um grande escritor argentino, disse que: "você sair do labirinto de cima".

Eu acredito, Barack, que depois de seguir os seus caminhos errantes, encontra-se em um labirinto, incapaz de encontrar a saída. Você está enterrando-se cada vez mais na violência, devorado por o poder de dominar. Você acha que possui o poder de fazer qualquer coisa e que o mundo está aos pés dos EUA. Tão grande são as atrocidades cometidas pelos diferentes governos dos EUA no mundo ... É uma realidade triste, mas há também a resistência dos povos que não capitular diante dos poderosos.

Bin Laden, suposto autor do ataque às Torres Gêmeas, foi feito o diabo encarnado que aterrorizou o mundo. Ele foi identificado como o "eixo do mal" e isso tem servido os EUA para travar as guerras que a necessidade militar industrial complexo, a fim de colocar os seus produtos de morte.

Você certamente não deve ignorar que os pesquisadores em 11 de setembro tragédia ter declarado que os ataques têm muitas marcas de ter sido auto-infligidas, como a queda de um avião contra o Pentágono e de evacuação antes de escritórios nas torres. O ataque deu um motivo para lançar a guerra contra o Iraque e Afeganistão, e agora contra a Líbia, argumentando enganosamente que tudo está sendo feito para salvar o povo em nome da "liberdade e defesa da democracia".Com um cinismo total, é dito que as mortes de mulheres e crianças são "danos colaterais".

Palavras estão sendo esvaziadas de valores e significado. Você assassinato dub para ser a "morte" e, finalmente, os EUA têm "matou" Bin Laden. Não estou de forma alguma defender Bin Laden. Eu sou contra o terrorismo, seja por tais grupos armados ou o tipo de terrorismo de estado que exerce o seu país em várias partes do mundo, apoiando ditadores, impondo bases militares e as intervenções armadas, usando a violência para se manter através do terror no centro do mundode energia. Existe apenas um "eixo do mal"?


A paz é uma dinâmica de vida nas relações entre pessoas e entre os povos, é um desafio para a consciência da humanidade. Seu caminho é difícil, diariamente, e esperançoso, é onde as pessoas constroem suas próprias vidas e sua própria história. A paz não pode ser dado a qualquer pessoa, deve ser construída. E é isso que você está faltando coragem rapaz, para assumir sua responsabilidade histórica com o seu próprio povo e com a humanidade.

Você não pode viver no labirinto de medo e de controle, ignorando os tratados internacionais, Pactos e Protocolos, que são assinados e, em seguida, transgrediu uma e outra vez. Como você pode falar de paz se você não quer nada de honra, exceto os interesses do seu país?

Como você pode falar de liberdade quando você manter as pessoas inocentes presos em Guantánamo, nos EUA, no Iraque e no Afeganistão?

Como você pode falar de direitos humanos e da dignidade dos povos quando você perpetuamente violá-los e bloqueio aqueles que não compartilham sua ideologia e deve suportar o abuso?

Como você pode enviar forças militares para o Haiti depois que um terremoto devastador, em vez de ajuda humanitária para que pessoas que sofrem?

Como você pode falar de liberdade se você massacre dos povos do Oriente Médio e do conflito que sangra sem fim promover os palestinos e israelenses?

Barack: tentar olhar para fora de seu labirinto, você pode encontrar a estrela que orienta você, mesmo sabendo que nunca poderá alcançá-lo, como Eduardo Galeano disse tão bem.

Tente ser coerente entre o que você diz eo que você faz, é a única maneira de não perder o seu curso. É um desafio da vida. O Prêmio Nobel da Paz é uma ferramenta a serviço dos povos, nunca por vaidade pessoal.

Desejo-lhe muita força e esperança.
Você venha a ter a coragem de corrigir o seu caminho e encontrar a sabedoria e paz.

Buenos aires, 05 de maio de 2011

Adolfo Pérez EsquivelPremio Nobel de la Paz


P.S. Em um dia como hoje há 34 anos, voltei à vida, eu estava em um vôo para a morte durante a ditadura militar apoiada pelos EUA, na Argentina. Graças a Deus eu sobrevivi. Eu tive que encontrar meu caminho para sair do labirinto pelo aumento acima do meu desespero e descobrindo nas estrelas o caminho a ser capaz de dizer como o profeta: "a hora mais escura é imediatamente antes do amanhecer".

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Belo Monte: Tudo Pronto Para Iniciar o Maior Desastre Ambiental na Amazônia


O governo federal obrigou o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos) a conceder uma licença ambiental parcial para a instalação do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, para só mais tarde exigir o cumprimento das condicionantes previstas do EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto ao Meio Ambiente). Segundo José Ailton de Lima, diretor de engenharia da CHESF Centrais Elétricas do São Francisco que conduzirá as obras, já está tudo pronto para começar em julho, isto graças a essa licença parcial que dispensou o cumprimento das condicionantes.

Há menos de um mês o governo se mostrou “surpreso e assombrado” com o avanço do desmatamento na Amazônia, anunciou com pompas e circunstâncias a criação de uma Força Tarefa com a participação de vários Ministérios do Governo Dilma para combater essa ação criminosa. Entretanto é preciso que se diga, que a sociedade brasileira, principalmente as organizações indígenas e ambientalistas vêm, há tempos, alertando o governo sobre esse desastre. Por outro lado, carece de seriedade a posição do governo quando ele mesmo é um dos maiores devastadores da Amazônia Brasileira. Só o lago que se formará com a barragem na Volta Grande do Rio Ximgu, no Estado do Pará, 516 Km², para a instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte é maior que toda a área desmatada, no último ano pelos fazendeiros da região, tome-se em conta que existem vários empreendimentos idênticos a Belo Monte, somente no Rio Teles Pires no Mato Grosso estão projetadas e em andamento a construção de seis dessas barragens.

O desastre que está em marcha atingirá não apenas a região da cidade de Altamira, onde será construída a barragem. O impacto ambiental dessa obra tem potencial pra desequilibrar o clima do próprio planeta, pois a quantidade de gás metano que será jogada na atmosfera com o apodrecimento dos materiais orgânicos, floresta e animais que serão cobertos pelas águas, é até a presente data incalculável.

O EIA – Estudo de Impactos Ambientais feito pelo próprio governo dá conta de que ali já foram encontrados e catalogados: 174 espécies de peixes, 387 de répteis, 440 de aves e 259 de mamíferos, sem se falar dos insetos, fungos e todas as espécies de vegetais.
Cobrir com água a floresta é mais grave que simplesmente queimá-la, a decomposição de corpos orgânicos submersos tira o oxigênio da água e emite gás metano (CH4), para a atmosfera e provoca o aquecimento global, e é extraordinariamente mais prejudicial que o dióxido de carbono (CO²), que é o gás emitido na queima de materiais orgânicos e combustíveis fósseis.

Mais uma vez o governo do Brasil age de modo autoritário e ditatorial, não respeitando as Igrejas, as organizações sociais, a comunidade científica e os militantes ambientalistas em geral, que clamam pela racionalidade e o respeito às leis e à ética.

O SERPAJ-Brasil vem lutando contra mais essa agressão e deixa muito clara a sua posição e disposição de luta, ao mesmo tempo em que convidamos você a se engajar, você pode fazer parte dessa luta e participar de muitas maneiras, pode começar assinando a petição da avaaz clicando nesse endereço aí em baixo

http://www.avaaz.org/po/stand_with_chief_raoni/?cl=1110257460&v=9341

ou telefonando para a presidente Dilma para manifestar seu desacordo.

Por: Rosalvo Salgueiro

sábado, 7 de maio de 2011

Bin Laden: FEZ-SE VINGANÇA, NÃO JUSTIÇA



Leonardo Boff[1]

Alguém precisa ser inimigo de si mesmo, e contrário aos valores humanitários mínimos, se aprovasse o nefasto crime do terrorismo da Al Qaeda do 11 de novembro de 2001 em Nova Iorque. Mas é por todos os títulos inaceitável que um Estado, militarmente o mais poderoso do mundo, para responder ao terrorismo se tenha transformado, ele mesmo, num Estado terrorista. Foi o que fez Bush, limitando a democracia e suspendendo a vigência incondicional de alguns direitos, que eram apanágio do país. Fez mais, conduziu duas guerras, contra o Afeganistão e contra o Irã, onde devastou uma das culturas mais antigas da humanidade nal qual foram mortos mais de cem mil pessoas e mais de um milhão de deslocados.

Cabe renovar a pergunta que quase a ninguém interessa colocar: por que se produziram tais atos terroristas? O bispo Robert Bowman, de Melbourne Beach da Flórida, que fora anteriormente piloto de caças militares durante a guerra do Vietnã respondeu, claramente, no National Catholic Reporter, numa carta aberta ao Presidente: ”Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas”.

Não disse outra coisa Richard Clarke, responsável contra o terrorismo da Casa Branca numa entrevista a Jorge Pontual emitida pela Globonews de 28/02/2010 e repetida no dia 03/05/2011. Havia advertido à CIA e ao Presidente Bush que um ataque da Al Qaeda era iminente em Nova York. Não lhe deram ouvidos. Logo em seguida ocorreu, o que o encheu de raiva. Essa raiva aumentou contra o Governo quando viu que com mentiras e falsidades Bush, por pura vontade imperial de manter a hegemonia mundial, decretou uma guerra contra o Iraque que não tinha conexão nenhuma com o 11 de setembro. A raiva chegou a um ponto que por saúde e decência se demitiu do cargo.

Mais contundente foi Chalmers Johnson, um dos principais analistas da CIA, também numa entrevista ao mesmo jornalista no dia 2 de maio do corrente ano na Globonews. Conheceu por dentro os malefícios que as mais de 800 bases militares norte-americanas produzem, espalhadas pelo mundo todo, pois evocam raiva e revolta nas populações, caldo para o terrorismo. Cita o livro de Eduardo Galeano “As veias abertas da América Latina” para ilustrar as barbaridades que os órgãos de Inteligência norte-americanos por aqui fizeram. Denuncia o caráter imperial dos Governos, fundado no uso da inteligência que recomenda golpes de Estado, organiza assassinato de líderes e ensina a torturar. Em protesto, se demitiu e foi ser professor de história na Universidade da Califórnia. Escreveu três tomos “Blowback” (retaliação) onde previa, por poucos meses de antecedência, as retaliações contra a prepotência norte-americana no mundo. Foi tido como o profeta de 11 de setembro. Este é o pano de fundo para entendermos a atual situação que culminou com a execução criminosa de Osama Bin Laden.

Os órgãos de inteligência norte-americanos são uns fracassados. Por dez anos vasculharam o mundo para caçar Bin Laden. Nada conseguiram. Só usando um método imoral, a tortura de um mensageiro de Bin Laden, conseguiram chegar ao seu esconderijo. Portanto, não tiveram mérito próprio nenhum.

Tudo nessa caçada está sob o signo da imoralidade, da vergonha e do crime. Primeiramente, o Presidente Barak Obama, como se fosse um “deus” determinou a execução/matança de Bin Laden. Isso vai contra o princípio ético universal de “não matar” e dos acordos internacionais que prescrevem a prisão, o julgamento e a punição do acusado. Assim se fez com Hussein do Iraque, com os criminosos nazistas em Nürenberg, com Eichmann em Israel e com outros acusados. Com Bin Laden se preferiu a execução intencionada, crime pelo qual Barak Obama deverá um dia responder. Depois se invadiu território do Paquistão, sem qualquer aviso prévio da operação. Em seguida, se seqüestrou o cadáver e o lançaram ao mar, crime contra a piedade familiar, direito que cada família tem de enterrar seus mortos, criminosos ou não, pois por piores que sejam, nunca deixam de ser humanos.

Não se fez justiça. Praticou-se a vingança, sempre condenável. ”Minha é a vingança” diz o Deus das escrituras das três religiões abraâmicas. Agora estaremos sob o poder de um Imperador sobre quem pesa a acusação de assassinato. E a necrofilia das multidões nos diminui e nos envergonha a todos.


[1] Teólogo, filósofo autor de Fundamentalismo,terrorismo , religião e paz, Vozes 2009.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O México vive uma guerra civil e mata inocentes


O México vive há anos um processo de guerra civil, que n’alguns Estados como Chiapas se vive guerra declarada e em outros, como Morelos, a violência é marginal, algo parecido com as nossas grandes cidades como o Rio de Janeiro. No dia 27 de março esta violência alcançou os companheiros dos SERPAJ-México, a quem manifestamos nossa mais absoluta e irrestrita solidariedade, e os animamos a não desanimarem e a continuar firmes na construção da Paz e da Justiça nas terras de Zapata.

Transcrevemos a seguir o pronunciamento oficial do Serviço Paz e Justiça na América Latina, assinado pelos companheiros Adolfo Pérez Esquivel, Ana Juanche Molina e Gustavo Cabrera, nossas autoridades continentais.

SERPAJ América Latina al pueblo mexicano

Javier Sicilia não é apenas um poeta, é também um incansável lutador não violento, profundamente conhecedor desta corrente histórica gandhiana o que explica que também tenha sido um dos fundadores do "Servicio Paz y Justicia" no México (SERPAJ-México) em 1987, e que o tenha promovido através de sua obra e sua vida. É por isso mesmo coerente e compreensível a enorme repercussão nacional e internacional que tem ganhado o assassinato de seu filho Juan Francisco e seus amigos Luis, Julio, Gabriel e Jesus ocorridos em 27 de março. Atos de solidariedade foram realizados no dia seis de abril em quase todos os Estados mexicanos e em várias cidades do mundo.

Somamos-nos à enérgica condenação do assassinato destes jovens assim como condenamos cada uma das (38000) trinta e oito mil execuções havidas nos últimos 4 anos no México, mesmo que, como diz Sicilia representem "a destruição do solo da nação ”. Com esta condenação queremos chamar a atenção do mundo para o México para que possamos alcançar a interrupção deste genocídio que tem como causa a ordem legal e delituosa hoje vigente neste país. (Informe Bourbaki,2011).

Exigimos que as mortes provocadas não sejam justificadas por estigmatização criminosa das vítimas e seus familiares, com a absurda e genérica alegação de: “por algo foi” ou “sabe-se lá em que andavam metidos”, ("por algo será” o “¿en qué andaría metido?”) que tem sido parte fundamental da “explicação” para o desaparecimento de dezenas de milhares de pessoas na América Latina.

Exigimos segurança e garantia de vida para os familiares das vítimas desta guerra

É preciso criar alternativas de paz, justiça, dignidade y reconstrução do “solo da nação” e assim recriar a esperança.

Um abraço apertado, solidários a todos os familiares de das vítimas desta guerra e à reserva moral deste belo país, que é o México.

Adolfo Pérez Esquivel – Premio Nobel da Paz Ana Juanche Molina Gustavo Cabrera Veja

Presidente Internacional do SERPAJ Coordenação Latino americana do SERPAJ

Tradução livre: Rosalvo Salgueiro