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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Em mutirão, superando a pobreza!

Construindo moradias dignas em sistema de mutirão e auto gestão


Olhando para a população da periferia de São Paulo, podemos notar que a pobreza e a miséria estão estampadas na cara de grande parte da população brasileira e podem ser vistas nitidamente de várias formas. Pode ser notada pelas roupas que veste, pela quantidade de dentes que tem na boca ou pelo lugar onde mora.

Aqui abordaremos uma dessas caras, a pobreza e a luta do povo pobre pra superá-la

No início dos anos oitenta, a cidade de São Paulo atingia o máximo de seu crescimento desordenado que vinha de um processo migratório interno havia gerado um verdadeiro caos urbano.

Funda em 1554 por um grupo de aproximadamente cem pessoas a cidade teve um crescimento lento nos primeiros trezentos anos, assim é que em 1870 São Paulo contava com apenas 31.835 pessoas, a partir daí experimentou um crescimento vertiginoso de forma que em 1970 já contava com mais de 6 milhões de pessoas e continuou crescendo, em 1980 contava-se mais de 9 milhões de habitantes e hoje está muito próximo da casa dos 11 milhões. A mancha urbana que compõe a região metropolitana de São Paulo conta hoje com mais de 20 milhões de habitantes1.

Esse crescimento pode ser explicado por várias razões, mas pelo menos quatro delas podem ser tomadas como as principais:

a) - Sua localização geográfica que se situa no entroncamento para o porto de Santos, por onde escoava toda a produção das fazendas cafeeira e de cana de açúcar. O Porto de Santos ainda hoje é a principal porta de saída dos produtos brasileiros, assim como a entrada das mercadorias que o Brasil importa.

b) – A libertação dos escravos no Brasil que ocorreu em 13 de maio de 1888, que forçou os fazendeiros a substituir a mão de obra escrava por colonos estrangeiros, principalmente europeus, os italianos, os espanhóis e alemães e também os Japoneses que se fixaram majoritariamente no Estado de São Paulo.

c) – A interrupção das importações de mercadorias, principalmente da Europa em razão das duas grandes guerras mundiais, em 1918 e 1945, fez com que se desenvolvesse firmemente a industrialização do Brasil, principalmente na cidade de São Paulo. Nos anos 50 a instalação da indústria automobilística, Ford, Chevrolet e Wolkz Wagen, na região conhecida como ABC, na periferia da Grande São Paulo.

d) – A construção civil foi e é outra matriz de produção que ao longo do tempo funcionou como força de atração de migração interna, principalmente dos nordestinos que para cá vieram para trabalhar e buscar melhores condições de vida e desenvolvimento pessoal e familiar.

Durante muitas décadas todos os dias chegavam a São Paulo dezenas de milhares de pessoas vindas de todas as partes do país e do mundo e aqui fixavam residências, provocando um extraordinário crescimento desordenado da cidade, multiplicando as favelas e gerando um caótico zoneamento urbano resultado de loteamentos clandestinos que evidentemente não obedeciam qualquer legislação quanto ao traçado urbano deixando enormes contingentes populacionais vivendo em condições subumanas em bairros sem um mínimo de infra-estrutura, como pavimentação das ruas, saneamento básico, sem coleta de lixo, sem eletricidade.


Nasce o mutirão:

No ano de 1983, Dom Angélico Sândalo Bernardino bispo do bairro de São Miguel Paulista, periferia leste de São Paulo e um dos maiores expoentes a Teologia da Libertação, decidiu por a Igreja em firme ação de apoio às famílias moradoras nas favelas da região. Num retiro reuniu os agentes das pastorais de Defesa dos Direitos Humanos e da Pastoral da Periferia e propôs-lhes a criação de um grande movimento reivindicatório de moradias dignas para todos os moradores das favelas ou toda moradia que pudesse ser considera subnormal, fez circular nas Missas dominicais que a Igreja estaria dando início a um movimento que visava pressionar o governo para criar uma política pública de moradia popular que fosse digna do ser humano e contemplasse as camadas mais pobres da população, em apenas um fim de semana, nos finais das missas foram inscritas mais três mil famílias.

Começou então um ciclo de reuniões, onde os interessados recebiam orientação e esclarecimentos sobre os direitos naturais, e ganhavam consciência crítica sobre os programas governamentais, visto que não atendiam as famílias de mais baixa renda, aquelas situadas na faixa abaixo dos três salários mínimos.

O passo seguinte foi colocar os próprios interessados para identificar os vazios urbanos da região que pudessem comportar a construção de conjuntos habitacionais populares. Findo esse processo, que durou seis meses, foi marcado um grande encontro com o então Prefeito Mário Covas, onde o Dom Angélico em memorável sermão que falava da “Terra Prometida”, apresentou ao prefeito a gente sem terra e a terra sem gente à ocupá-la e propôs a criação de um amplo programa de habitação popular. O prefeito assumiu o compromisso e teve assim início o movimento popular de moradia na cidade de São Paulo.

A experiência se multiplicou e logo outras igrejas e grupos políticos entraram no processo reivindicatório que ficou conhecido como a luta pela moradia. Hoje existe na Grande São Paulo, um grande número de associações e movimentos que atuam na organização das famílias para a construção da casa própria, que é o principal sonho do povo brasileiro.

Merece destaque nesse processo de incorporação nas lutas por moradia popular o papel da Igreja Católica Apostólica Brasileira que na pessoa do bispo Dom Geraldo Albano de Freitas, também ligado à Teologia da Libertação, articulou e fundou o Movimento Terra de Deus, Terra de Todos, que é hoje uma das principais forças na luta pela reforma urbana em São Paulo.

Diante das reivindicações dos movimentos, o governo freqüentemente afirmava não ter recursos financeiros para tanto, foi então que os movimentos propuseram o sistema de mutirão: O governo providencia a terra e a infra-estrutura, arruamento, água e esgoto, luz além do material de construção e assessoria técnica, e as famílias constroem em sistema de ajuda mútua as próprias casas. O prefeito Mário Covas concordou e tiveram então inícios os primeiros conjuntos. Esta experiência foi abandonada pelo prefeito seguinte, Jânio Quadros e retomada em 1989, pela prefeita Luiza Erundina, então eleita pelo PT (Partido dos Trabalhadores), que iniciou Por esse sistema a construção de dez mil casas, mas infelizmente terminou seu governo sem concluir nenhum desses conjuntos e a experiência foi novamente abandonada pelos prefeitos seguintes.

Com a eleição de Mario Covas para o governo do Estado de São Paulo em 1994 o mutirão ganhou status de política pública no Programa Paulista de Mutirão e Autogestão, criado pela lei estadual nº 1942/95 e que destina anualmente recursos orçamentários para o programa.

O mutirão conta com uma assessoria técnica em pelo menos nas áreas: contábil e administração, jurídica, engenharia e arquitetura e ainda em Serviço Social. Esta assessoria técnica é escolhida e contratada pela associação e está prevista no convênio para garantir a qualidade das construções.

Inicialmente construíam-se apenas casinhas, hoje os mutirões constroem edifício de até sete andares e já construiu mais de 70 mil unidades habitacionais em todo o Estado

Assim, pode dizer-se que o mutirão é um sistema onde os próprios moradores é que constroem as casas e apartamento envolvendo toda a família nesse esforço coletivo e viabilizando a casa própria pra as famílias de baixa renda, inclusive para aquelas que ganham menos de um salário mínimo.

Por esse sistema o Estado celebra convênios com as associações e movimentos populares, através do qual o governo repassa os recursos financeiros diretamente às associações que administram a construção em todas as suas fazes, que vão da escolha do terreno à entrega final dos apartamentos prontos para morar.

Não há uma força hegemônica

Diferentemente da luta pela reforma agrária que no Brasil tem uma força hegemônica, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Na cidade não há uma força equivalente, existem sim, pelo menos dez grupos conhecidos como federações de associações que atuam fortemente e são muito representativos, cada um com sua peculiaridade política e ideológica, dentre eles está o Movimento Terra de Deus Terra de Todos que tem uma ligação histórica com a Igreja Católica Apostólica Brasileira - ICAB.

Os vários movimentos, apesar das diferenças, conseguem se unir para reivindicar e apresentar projetos de políticas públicas para o setor; foi nesse processo que nasceu o Programa Paulista de Mutirão e Auto – Gestão do governo do Estado de São Paulo em 1994, época do governo social democrata de Mario Covas, e que já construiu mais de 70 mil casas já mencionados.

A experiência tem mostrado que o custo das moradias construídas em sistema de mutirão fica entre sessenta a setenta por cento do das construtoras, e a qualidade é muito superior. No mutirão o papel da mulher é fundamental, pois as pessoas que se envolvem e perseveram nesse projeto são em sua maioria mulheres, muitas vezes os homens têm dificuldades de acreditar na força da ação coletiva ou não se dispõem a trabalhar todos os fins de semana durante dois ou três anos, tempo que normalmente dura a construção dos empreendimentos.

A força da mulher

A presença da mulher é clara e preponderante em todas as áreas do mutirão, desde a administração, assessoria técnica, aos trabalhos menos prováveis, como eletricista, encanador, pedreiro, mestre de obras e outros.

Antes de iniciar o trabalho de construção propriamente dito, os mutirantes se reúnem em assembleia para elaborar discutir e aprovar um documento chamado “Regulamento de Obras” que contem as normas de segurança e qualidade do empreendimento e as regras de convivência e desenvolvimento de todo o processo.

Pelo regulamento cada família participante do mutirão deve dar pelo menos 16 horas de trabalho por semana que podem ser executadas por qualquer membro maior da família que vá residir no imóvel construído pelo mutirão. No mutirão há a possibilidade de todos trabalharem, mesmo os deficientes físicos e os idosos que desempenham atividades adequadas às suas forças e habilidades, aqueles que não conseguem desempenhar as atividades próprias da construção civil, como as de pedreiro, ajudante, encanador, eletricista e outras, atuam na distribuição de água nas frentes de trabalho, cozinha comunitária, apontamentos, porteiros ou como recepcionista.

O regulamento também prevê algumas comissões como a de compras, a de prestação de contas, a de prevenção de acidentes e outras que podem se formadas para o melhor andamento dos trabalhos e convivência.

Os casos de descumprimentos do regulamento implicam aplicação de penalidades que vão de uma simples advertência à própria exclusão da família participante, dependendo da gravidade da falta cometida.

Democracia e aprendizado

Todas as decisões importantes, absolutamente todas, são tomadas em assembléia depois de exaustivos processos de discussão. A assembléia discute e decide tudo, da escolha da cor dos prédios, à prestação mensal de contas à aplicação de penalidades.

Essa forma de participação é importante porque as pessoas sentem que estão elas próprias resolvendo seus problemas e não apenas recebendo um favor do governo. Ao final do processo, a casa tem sabor de conquista e não de dádiva, o mutirante é agradecido aos companheiros que ajudaram a construir sua moradia e não se sente em dívida ou obrigação com algum político “bonzinho”, é o exercício da cidadania na prática.

Depois de dois ou três anos de convivência, período que dura a construção, os mutirantes aprendem que tem direitos, responsabilidades e obrigações para com a comunidade, e efetivamente passam não só respeitá-los como exigi-los de si próprio e dos companheiros.


O mutirão não é assistencialista

Um conjunto habitacional construído em sistema de mutirão tem uma diferença básica de outros conjuntos feitos por construtoras; no mutirão todos os moradores têm uma história comum de pelo menos três a quatro anos, sonharam juntos, sofreram juntos e se alegram juntos, isto garante maior solidariedade e coesão ao grupo.

A experiência mostra que a administração de condomínios de conjuntos construídos em mutirão é mais tranqüila e o índice de inadimplência e significativamente mais baixo, além de facilitar o trabalho comunitário depois da ocupação, tanto com as famílias como com as crianças e a juventude.

Outro ponto que comumente se observa é que, não tendo mais aluguel a pagar logo a família muda de patamar social, melhora seu padrão de vida.

O mutirão é um programa social verdadeiramente emancipatório e que valoriza o que as pessoas têm de melhor, não é absolutamente nada assistencialista. No mutirão, não há lugar para a preguiça ou acomodação!

A população é chamada a tomar parte efetiva na administração e não apenas a discutir o orçamento, a autogestão coloca nas mãos das associações as decisões financeiras e administrativas de todas as etapas da construção. Para se ter uma idéia de grandeza, no ano de 1998 as associações administraram um total de 360 milhões de reais, que à época correspondia a 360 milhões de dólares.

Os resultados são absolutamente positivos em todos os pontos que se queira avaliar, administrativa, financeira, política e socialmente falando.

Por: Rosalvo Salgueiro

domingo, 21 de agosto de 2011

Mais de mil pessoas participam, em São Paulo, de ato contra Belo Monte

O sábado 20 de agosto, amanheceu muito frio e chuvoso em São Paulo, mesmo assim não tirou o ânimo das mais de mil pessoas que foram à Av. Paulista protestar contra a construção de Usina

Hidrelétrica de Belo Monte.

Os organizadores da manifestação informaram que duas mil pessoas participaram do evento, entretanto, a polícia militar que tem um método pra calcular a participação que leva em conta a área tomada pelos manifestantes e o número de pessoas por metro quadrado, estimou em mil participantes.

Os manifestantes começaram a se concentrar no vão livre do Museu de Arte de São Paulo por volta da 12 horas, sob uma fina chuva e um frio cortante, Foram chegando e conversando sobre a evolução das manifestações que simultaneamente aconteciam por todo o globo.

A manifestação reuniu estudantes e professores universitários, ambientalistas, indígenas e integrantes dos movimentos populares da periferia da cidade, principalmente de luta por moradia e reforma urbana, como o Movimento Terra de Deus, Terra de Todos.

Com cartazes e gritando palavras de ordens, os manifestantes pediam a paralisação das obras da usina, e se mostravam dispostos a radicalizar as ações. Ambientalistas e índios da região do Xingu defenderam, inclusive, a ocupação do canteiro de obras da usina, no Pará.

O cacique kayapó Megaron Txucarramãe que veio a São Paulo especialmente para participar da manifestação, disse que "o governo não ouve nem respeita os índios, que são os primeiros e os mais prejudicados por essa barragem”.

Para coordenador do Serviço Paz e Justiça SERPAJ-Brasil, Rosalvo Salgueiro, em Belo Monte está plenamente tipificado o crime de genocídio contra os povos indígenas, na forma prevista pelo art. 6º.a.b e c, do Estatuto do Tribunal Penal Internacional, e disse: "a presidente Dilma Roussef e demais autoridades governamentais e executivos envolvidos na construção dessa obra podem ser pessoalmente responsabilizados por esse crime.”

A manifestação consistiu, além da concentração no vão do MASP, numa caminhada pela Av. Paulista, que começou por volta das 14h30m e foi até a Rua Bela Cintra, e terminou por volta da 17 horas em frente ao escritório regional do IBAM (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).


Segundo os organizadores, liderados pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre, nos dia 20, 21 e 22 acontecerão manifestações por todo o país e em todos os continentes. “Estão confirmadas manifestações na Alemanha, França, Portugal, Inglaterra, Holanda, Escócia, País de Gales, Turquia, Canadá, Estados Unidos, México, Taiwan e Austrália. A maioria das manifestações nesses países acontecerão em frente à embaixada Brasileira e m cada um desses países.


Por: Cleber Dias

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dia mundial de lutas em defesa dos povos, da floresta e dos rios da Amazônia


20 de agosto de 2011

No próximo dia 20 de agosto às 13 horas,um sábado, no vão livre do MASP, na AV. Paulista, os movimentos ambientais, movimentos populares e de Defesa dos Direitos Humanos de São Paulo farão uma manifestação contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O ato é parte de uma mobilização mundial que está sendo articulada para enfrentar as constantes agressões que a natureza vem sofrendo em todo o planeta com consequências nefastas e ainda não dimensionadas para a vida na TERRA.

Para construir essa usina, será formado um lago artificial que cobrirá 516 km2 da floresta amazônica, além do mais, serão abertos dois canais de 500 metros de largura por 35 km de comprimento cada um, em plena selva, que desviarão o Rio Xingu do seu curso natural deixando uma alça de mais de 100 km completamente seca, afetando as famílias ribeirinhas e os índios que vivem há milênios no lugar.

Essa barragem não é a única prevista ou em execução na região, só no Rio Teles Pires, no Mato Grosso, serão construídas outras seis barragens.

Não há dúvidas que esse “rosário” de barragens fatalmente provocará aquecimento global e desequilibrará o clima em todo o PLANETA. A hora de agir é agora, depois poderá ser tarde demais!

Rosalvo Salgueiro

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Belo Monte: Estudantes, sindicalistas e movimentos sociais vão às ruas contra a usina!

http://www.youtube.com/watch?v=On0Xaqd8QDs&feature=related

No dia 28/07/2011, estudantes, ambientalistas, sindicalistas, dirigentes partidários e lideranças de movimentos sociais foram em passeata às ruas de Belém, capital do Pará para protestar e demonstrar sua disposição de luta contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Com slogans bem articulados denunciavam o governo da presidente Dilma: “O, o, o lá vai dinheiro, Belo Monte é obra da Dilma pros empreiteiros...”, “Dilma, ai que vergonha, constrói Belo Monte e destrói a Amazônia...”, “ O Xingu é nosso e não abrimos mão. Não, não, não, Belo Monte Não!”, “ Alerta, alerta juventude, a luta é que muda a Dilma só ilude!”.

Os discursos foram todos no sentido de deixar claro o compromisso e disposição de enfrentar as autoridades e impedir a construção da usina. E mais palavras de ordem: “Um, dois, três, quatro, cinco mil, ou param Belo Monte ou paramos o Brasil!”

Os meios de comunicação de massa ainda estão ignorando manifestações como esta, porém a luta está crescendo e logo não poderá mais ser ignorada.

http://www.youtube.com/watch?v=3TqJZZml2pk&feature=related


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Marianne Spiller lança livro na Suíça para comemorar seus 30 anos de luta na América Latina

No dia 28 Abril 2011, quinta feira, a ABAI completou 30 anos de fundação, uma iniciativa da suíça Marianne Spiller Hadorn.
Marianne, é atualmente Coordenadora Nacional do SERPAJ-Brasil, e foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz em 2005 como uma das "mulheres da paz mundial", na ocasião foram indicadas 1000 mulheres de todos os rincões da terra.
Sua convicção de que a pobreza só pode ser enfrentada atacando-se as suas causas profundas, tem proporcionado a história e o desenvolvimento da ABAI. .
Para comemorar os 30 anos da ABAI, Marianne reuniu amigos e companheiros de lutas e compromissos para refletir e propor alternativas e caminhos para uma real superação da pobreza, essas refleções foram publicas num livro entitulado, Fome de Justiça: Perspectivas para a Superação da Pobreza, que foi lançado na Suiça com grande sucesso em maio último.

"Fome de Justiça" apresenta este compromisso e a biografia incomum do pioneiro traço Marianne Spiller-Hadorn. Ao mesmo tempo, abre o olhar do leitor para muito além da ABAI e de questões atuais, para a redução da pobreza e da cooperação para o desenvolvimento em um mundo globalizado. Marianne convidou mais de 20 pessoas da América do Sul e Europa para escrever sobre o direito à água, direito à moradia digna nas cidades, o movimento sem terra no Brasil e o papel da Suíça, sobre o poder transformador da sociedade civil, não-violenta luta de libertação e, finalmente, sobre a importância da agricultura na luta contra a pobreza.

Com textos de: Adolfo Pérez Esquivel, Rosmarie Bär, Rosalvo Salgueiro, Veronika Bennholdt-Thomsen, Irene Birnstiel-Hadorn, Dom Luiz Flávio Cappio, João Pedro Stedille, Peter Niggli, Rudolf H. Strahm e outros. Fotografias
recentes de Fridolin Walcher eHahn Michaela mostrar as cenas e atores no alívio da pobrezano Brasil. .





Gröbly Thomas (Ed.), FOME DE JUSTIÇA: Perspectivas de Superação da Pobreza. 352 páginas, heróis Verlag, Zurique 1011, CHF39,80, ISBN 978-3-905748-09-3. www.helden.ch



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Esquivel publica carta aberta a Barack Obama, questionando suas ações contra a Paz

Caro Barack,
Dirijo-me a você fraternalmente, e ao mesmo tempo, para expressar minha preocupação e indignação pela destruição e morte semeada em tantos países em nome da "liberdade e democracia", duas palavras que foram abusados ​​e despojados de sentido. Acabam justificando o assassinato, que é aclamado como se fosse um evento esportivo.

Indignação com a atitude de algumas partes da população dos EUA, de chefes de Estado na Europa e outros países que saíram em apoio do assassinato de Bin Laden, e por sua complacência em nome de uma suposta justiça. Não houve esforço para deter e julgá-lo por seus supostos crimes, o que gera mais dúvidas. O objetivo era assassiná-lo.

Os mortos não falam, eo medo de que o acusado poderia revelar verdades inconvenientes para os EUA foi transformada em assassinato, a fim de garantir que a "morte do cão poria fim à loucura", sem considerar que você tem apenas aumentou o .

Quando foi concedido o Prêmio Nobel, da qual somos titulares, enviei-lhe uma carta que dizia: "Barack, eu fiquei muito surpreso por você ter sido agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, mas agora que você tem, você deve usá-lo a serviço da paz entre os povos. Você tem toda a possibilidade de fazê-lo, para acabar com as guerras e começar a corrigir as graves crises em seu próprio país e do mundo ".

Infelizmente, porém, tem aumentado o ódio e traído os princípios assumidos durante sua campanha eleitoral antes do seu povo, como o fim das guerras no Afeganistão e no Iraque, o fechamento das prisões em Guantánamo, Cuba, e Abu Ghraib no Iraque. Pelo contrário, você decidiu começar outra guerra contra a Líbia, apoiada pela NATO e com a vergonhosa resolução da ONU para apoiá-lo. Esta organização elevado, diminuído e incapaz de pensar por si mesma, perdeu sua direção e é subjugado aos caprichos e interesses das potências dominantes.

A premissa básica da ONU é a defesa ea promoção de paz e dignidade entre os povos. Seu Preâmbulo começa por dizer: "Nós, os povos do mundo ...", agora ausente deste organismo.

Eu gostaria de lembrar um professor místico e que teve uma grande influência na minha vida: monge trapista Thomas Merton da Abadia de Getsêmani, em Kentucky.Merton certa vez escreveu que "A maior necessidade do nosso tempo é para limpar a enorme massa de lixo mental e emocional que atravancam as nossas mentes e faz de toda a vida política e social de uma doença em massa. Sem esta faxina, não podemos começar a ver. A menos que nós vemos, não podemos pensar ".

Barack, você era muito jovem, durante a guerra do Vietnã e talvez você não se lembra a luta de pessoas em todo os Estados Unidos na oposição a essa guerra.Tenho compartilhado com e acompanhou o veteranos da guerra do Vietnã, em particular, Brian Wilson e seus companheiros que também foram vítimas dessa guerra e de todas as guerras.

Thomas Merton, analisando um carimbo que tinha acabado de chegar, que disse: "O Exército dos EUA: chave para a paz", escreveu: "Nenhum exército é a chave para a paz ... Nenhuma nação 'grande' tem a chave para qualquer coisa, mas a guerra Power não tem nada. a ver com paz. Os homens mais construir o poder militar, mais eles violam a paz e destruí-lo. "

Devemos proteger a vida para deixar as futuras gerações uma sociedade mais justa e fraterna, re-estabelecer o equilíbrio com a Mãe Terra. Se não reagir para mudar a situação atual da arrogância suicida em que os povos estão sendo arrastada para baixo, será muito difícil escapar e ver a luz. A humanidade merece um destino melhor.

Você sabe, a esperança é como a flor de lótus que cresce no lodo e flores em todo seu esplendor, mostrando sua beleza. Leopoldo Marechal, um grande escritor argentino, disse que: "você sair do labirinto de cima".

Eu acredito, Barack, que depois de seguir os seus caminhos errantes, encontra-se em um labirinto, incapaz de encontrar a saída. Você está enterrando-se cada vez mais na violência, devorado por o poder de dominar. Você acha que possui o poder de fazer qualquer coisa e que o mundo está aos pés dos EUA. Tão grande são as atrocidades cometidas pelos diferentes governos dos EUA no mundo ... É uma realidade triste, mas há também a resistência dos povos que não capitular diante dos poderosos.

Bin Laden, suposto autor do ataque às Torres Gêmeas, foi feito o diabo encarnado que aterrorizou o mundo. Ele foi identificado como o "eixo do mal" e isso tem servido os EUA para travar as guerras que a necessidade militar industrial complexo, a fim de colocar os seus produtos de morte.

Você certamente não deve ignorar que os pesquisadores em 11 de setembro tragédia ter declarado que os ataques têm muitas marcas de ter sido auto-infligidas, como a queda de um avião contra o Pentágono e de evacuação antes de escritórios nas torres. O ataque deu um motivo para lançar a guerra contra o Iraque e Afeganistão, e agora contra a Líbia, argumentando enganosamente que tudo está sendo feito para salvar o povo em nome da "liberdade e defesa da democracia".Com um cinismo total, é dito que as mortes de mulheres e crianças são "danos colaterais".

Palavras estão sendo esvaziadas de valores e significado. Você assassinato dub para ser a "morte" e, finalmente, os EUA têm "matou" Bin Laden. Não estou de forma alguma defender Bin Laden. Eu sou contra o terrorismo, seja por tais grupos armados ou o tipo de terrorismo de estado que exerce o seu país em várias partes do mundo, apoiando ditadores, impondo bases militares e as intervenções armadas, usando a violência para se manter através do terror no centro do mundode energia. Existe apenas um "eixo do mal"?


A paz é uma dinâmica de vida nas relações entre pessoas e entre os povos, é um desafio para a consciência da humanidade. Seu caminho é difícil, diariamente, e esperançoso, é onde as pessoas constroem suas próprias vidas e sua própria história. A paz não pode ser dado a qualquer pessoa, deve ser construída. E é isso que você está faltando coragem rapaz, para assumir sua responsabilidade histórica com o seu próprio povo e com a humanidade.

Você não pode viver no labirinto de medo e de controle, ignorando os tratados internacionais, Pactos e Protocolos, que são assinados e, em seguida, transgrediu uma e outra vez. Como você pode falar de paz se você não quer nada de honra, exceto os interesses do seu país?

Como você pode falar de liberdade quando você manter as pessoas inocentes presos em Guantánamo, nos EUA, no Iraque e no Afeganistão?

Como você pode falar de direitos humanos e da dignidade dos povos quando você perpetuamente violá-los e bloqueio aqueles que não compartilham sua ideologia e deve suportar o abuso?

Como você pode enviar forças militares para o Haiti depois que um terremoto devastador, em vez de ajuda humanitária para que pessoas que sofrem?

Como você pode falar de liberdade se você massacre dos povos do Oriente Médio e do conflito que sangra sem fim promover os palestinos e israelenses?

Barack: tentar olhar para fora de seu labirinto, você pode encontrar a estrela que orienta você, mesmo sabendo que nunca poderá alcançá-lo, como Eduardo Galeano disse tão bem.

Tente ser coerente entre o que você diz eo que você faz, é a única maneira de não perder o seu curso. É um desafio da vida. O Prêmio Nobel da Paz é uma ferramenta a serviço dos povos, nunca por vaidade pessoal.

Desejo-lhe muita força e esperança.
Você venha a ter a coragem de corrigir o seu caminho e encontrar a sabedoria e paz.

Buenos aires, 05 de maio de 2011

Adolfo Pérez EsquivelPremio Nobel de la Paz


P.S. Em um dia como hoje há 34 anos, voltei à vida, eu estava em um vôo para a morte durante a ditadura militar apoiada pelos EUA, na Argentina. Graças a Deus eu sobrevivi. Eu tive que encontrar meu caminho para sair do labirinto pelo aumento acima do meu desespero e descobrindo nas estrelas o caminho a ser capaz de dizer como o profeta: "a hora mais escura é imediatamente antes do amanhecer".

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Belo Monte: Tudo Pronto Para Iniciar o Maior Desastre Ambiental na Amazônia


O governo federal obrigou o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos) a conceder uma licença ambiental parcial para a instalação do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, para só mais tarde exigir o cumprimento das condicionantes previstas do EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto ao Meio Ambiente). Segundo José Ailton de Lima, diretor de engenharia da CHESF Centrais Elétricas do São Francisco que conduzirá as obras, já está tudo pronto para começar em julho, isto graças a essa licença parcial que dispensou o cumprimento das condicionantes.

Há menos de um mês o governo se mostrou “surpreso e assombrado” com o avanço do desmatamento na Amazônia, anunciou com pompas e circunstâncias a criação de uma Força Tarefa com a participação de vários Ministérios do Governo Dilma para combater essa ação criminosa. Entretanto é preciso que se diga, que a sociedade brasileira, principalmente as organizações indígenas e ambientalistas vêm, há tempos, alertando o governo sobre esse desastre. Por outro lado, carece de seriedade a posição do governo quando ele mesmo é um dos maiores devastadores da Amazônia Brasileira. Só o lago que se formará com a barragem na Volta Grande do Rio Ximgu, no Estado do Pará, 516 Km², para a instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte é maior que toda a área desmatada, no último ano pelos fazendeiros da região, tome-se em conta que existem vários empreendimentos idênticos a Belo Monte, somente no Rio Teles Pires no Mato Grosso estão projetadas e em andamento a construção de seis dessas barragens.

O desastre que está em marcha atingirá não apenas a região da cidade de Altamira, onde será construída a barragem. O impacto ambiental dessa obra tem potencial pra desequilibrar o clima do próprio planeta, pois a quantidade de gás metano que será jogada na atmosfera com o apodrecimento dos materiais orgânicos, floresta e animais que serão cobertos pelas águas, é até a presente data incalculável.

O EIA – Estudo de Impactos Ambientais feito pelo próprio governo dá conta de que ali já foram encontrados e catalogados: 174 espécies de peixes, 387 de répteis, 440 de aves e 259 de mamíferos, sem se falar dos insetos, fungos e todas as espécies de vegetais.
Cobrir com água a floresta é mais grave que simplesmente queimá-la, a decomposição de corpos orgânicos submersos tira o oxigênio da água e emite gás metano (CH4), para a atmosfera e provoca o aquecimento global, e é extraordinariamente mais prejudicial que o dióxido de carbono (CO²), que é o gás emitido na queima de materiais orgânicos e combustíveis fósseis.

Mais uma vez o governo do Brasil age de modo autoritário e ditatorial, não respeitando as Igrejas, as organizações sociais, a comunidade científica e os militantes ambientalistas em geral, que clamam pela racionalidade e o respeito às leis e à ética.

O SERPAJ-Brasil vem lutando contra mais essa agressão e deixa muito clara a sua posição e disposição de luta, ao mesmo tempo em que convidamos você a se engajar, você pode fazer parte dessa luta e participar de muitas maneiras, pode começar assinando a petição da avaaz clicando nesse endereço aí em baixo

http://www.avaaz.org/po/stand_with_chief_raoni/?cl=1110257460&v=9341

ou telefonando para a presidente Dilma para manifestar seu desacordo.

Por: Rosalvo Salgueiro