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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pérez Esquivel faz Nova visita a Cuba

O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, chega nesta quinta feira, 9 de fevereiro a Havana para participar do VIII Congresso Internacional de Educação Superior "Universidad 2012", organizado pelo Ministério do Ensino Superior e as universidades da República de Cuba e que se desenvolverá em Havana nos dias 13-17 de Fevereiro.
Já a partir de sua chegada à ilha, Esquivel irá participar de diversas atividades educativas e culturais, incluindo a apresentação do seu mais recente livro "Resistir na Esperança", evento que ocorrerá dentro da 21 ª Feira Internacional do Livro de Cuba. Uma das mais conhecidas e prestigiadas feiras de livros do mundo.

Sua visita coincide com a chamada internacional para por fim aos 50 anos do injusto bloqueio contra Cuba. Esquivel volta a Cuba 10 anos depois da sua última visita à ilha de Fidel

Esta é a primeira vez que um Prêmio Nobel estará presente na reunião de educação. Espera-se também a resença do brasileiro ativista social Frei Betto, assim como da subdiretora geral de Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a chinesa Qian Tang.

Segundo os organizadores, sob o lema "Universidade para o desenvolvimento sustentável", espera-se a presença de cerca de 2400 delegados de 60 países e cerca de 800 cubanos, mais de 250 personalidades, incluindo ministros, reitores de universidades e representantes de organizações internacionais. Ao todo serão apresentados e debatidos 1839 trabalhos tratando dos mais variados temas de interesse para a comunidade acadêmica e científica.

Adolfo Perez Esquivel, além de Prêmio Nobel da Paz, é também, há mais de dez anos, titular da Cátedra de Cultura para a Paz e Direitos Humanos da Universidade de Buenos Aires (UBA) É Doutor Honoris Causa de várias universidade de todos os continentes. É presidente do Serviço de Paz e Justiça (SERPAJ) recebeu o prêmio de educação para a paz pela UNESCO em 1987 e agora está realizando o programa "Aldeias de Jovens para a Paz".


Veja neste vídeo o discurso de Adolfo Perez Esquivel, proferido na Praça da Revolução, Havana, em 1 de Maio de 2000.




Tradução livre: Rosalvo Salgueiro

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Belo Monte: Tudo Pronto Para Iniciar o Maior Desastre Ambiental na Amazônia


O governo federal obrigou o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos) a conceder uma licença ambiental parcial para a instalação do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, para só mais tarde exigir o cumprimento das condicionantes previstas do EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto ao Meio Ambiente). Segundo José Ailton de Lima, diretor de engenharia da CHESF Centrais Elétricas do São Francisco que conduzirá as obras, já está tudo pronto para começar em julho, isto graças a essa licença parcial que dispensou o cumprimento das condicionantes.

Há menos de um mês o governo se mostrou “surpreso e assombrado” com o avanço do desmatamento na Amazônia, anunciou com pompas e circunstâncias a criação de uma Força Tarefa com a participação de vários Ministérios do Governo Dilma para combater essa ação criminosa. Entretanto é preciso que se diga, que a sociedade brasileira, principalmente as organizações indígenas e ambientalistas vêm, há tempos, alertando o governo sobre esse desastre. Por outro lado, carece de seriedade a posição do governo quando ele mesmo é um dos maiores devastadores da Amazônia Brasileira. Só o lago que se formará com a barragem na Volta Grande do Rio Ximgu, no Estado do Pará, 516 Km², para a instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte é maior que toda a área desmatada, no último ano pelos fazendeiros da região, tome-se em conta que existem vários empreendimentos idênticos a Belo Monte, somente no Rio Teles Pires no Mato Grosso estão projetadas e em andamento a construção de seis dessas barragens.

O desastre que está em marcha atingirá não apenas a região da cidade de Altamira, onde será construída a barragem. O impacto ambiental dessa obra tem potencial pra desequilibrar o clima do próprio planeta, pois a quantidade de gás metano que será jogada na atmosfera com o apodrecimento dos materiais orgânicos, floresta e animais que serão cobertos pelas águas, é até a presente data incalculável.

O EIA – Estudo de Impactos Ambientais feito pelo próprio governo dá conta de que ali já foram encontrados e catalogados: 174 espécies de peixes, 387 de répteis, 440 de aves e 259 de mamíferos, sem se falar dos insetos, fungos e todas as espécies de vegetais.
Cobrir com água a floresta é mais grave que simplesmente queimá-la, a decomposição de corpos orgânicos submersos tira o oxigênio da água e emite gás metano (CH4), para a atmosfera e provoca o aquecimento global, e é extraordinariamente mais prejudicial que o dióxido de carbono (CO²), que é o gás emitido na queima de materiais orgânicos e combustíveis fósseis.

Mais uma vez o governo do Brasil age de modo autoritário e ditatorial, não respeitando as Igrejas, as organizações sociais, a comunidade científica e os militantes ambientalistas em geral, que clamam pela racionalidade e o respeito às leis e à ética.

O SERPAJ-Brasil vem lutando contra mais essa agressão e deixa muito clara a sua posição e disposição de luta, ao mesmo tempo em que convidamos você a se engajar, você pode fazer parte dessa luta e participar de muitas maneiras, pode começar assinando a petição da avaaz clicando nesse endereço aí em baixo

http://www.avaaz.org/po/stand_with_chief_raoni/?cl=1110257460&v=9341

ou telefonando para a presidente Dilma para manifestar seu desacordo.

Por: Rosalvo Salgueiro

terça-feira, 26 de abril de 2011

O México vive uma guerra civil e mata inocentes


O México vive há anos um processo de guerra civil, que n’alguns Estados como Chiapas se vive guerra declarada e em outros, como Morelos, a violência é marginal, algo parecido com as nossas grandes cidades como o Rio de Janeiro. No dia 27 de março esta violência alcançou os companheiros dos SERPAJ-México, a quem manifestamos nossa mais absoluta e irrestrita solidariedade, e os animamos a não desanimarem e a continuar firmes na construção da Paz e da Justiça nas terras de Zapata.

Transcrevemos a seguir o pronunciamento oficial do Serviço Paz e Justiça na América Latina, assinado pelos companheiros Adolfo Pérez Esquivel, Ana Juanche Molina e Gustavo Cabrera, nossas autoridades continentais.

SERPAJ América Latina al pueblo mexicano

Javier Sicilia não é apenas um poeta, é também um incansável lutador não violento, profundamente conhecedor desta corrente histórica gandhiana o que explica que também tenha sido um dos fundadores do "Servicio Paz y Justicia" no México (SERPAJ-México) em 1987, e que o tenha promovido através de sua obra e sua vida. É por isso mesmo coerente e compreensível a enorme repercussão nacional e internacional que tem ganhado o assassinato de seu filho Juan Francisco e seus amigos Luis, Julio, Gabriel e Jesus ocorridos em 27 de março. Atos de solidariedade foram realizados no dia seis de abril em quase todos os Estados mexicanos e em várias cidades do mundo.

Somamos-nos à enérgica condenação do assassinato destes jovens assim como condenamos cada uma das (38000) trinta e oito mil execuções havidas nos últimos 4 anos no México, mesmo que, como diz Sicilia representem "a destruição do solo da nação ”. Com esta condenação queremos chamar a atenção do mundo para o México para que possamos alcançar a interrupção deste genocídio que tem como causa a ordem legal e delituosa hoje vigente neste país. (Informe Bourbaki,2011).

Exigimos que as mortes provocadas não sejam justificadas por estigmatização criminosa das vítimas e seus familiares, com a absurda e genérica alegação de: “por algo foi” ou “sabe-se lá em que andavam metidos”, ("por algo será” o “¿en qué andaría metido?”) que tem sido parte fundamental da “explicação” para o desaparecimento de dezenas de milhares de pessoas na América Latina.

Exigimos segurança e garantia de vida para os familiares das vítimas desta guerra

É preciso criar alternativas de paz, justiça, dignidade y reconstrução do “solo da nação” e assim recriar a esperança.

Um abraço apertado, solidários a todos os familiares de das vítimas desta guerra e à reserva moral deste belo país, que é o México.

Adolfo Pérez Esquivel – Premio Nobel da Paz Ana Juanche Molina Gustavo Cabrera Veja

Presidente Internacional do SERPAJ Coordenação Latino americana do SERPAJ

Tradução livre: Rosalvo Salgueiro

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Belo Monte:Comissão Inter-americana de Direitos Humanos pede ao governo do Brasil que suspenda a construção da usina!


A apreensão mundial em razão das conseqüências da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu no Estado do Pará, na Amazônia brasileira se amplia e chega aos organismos oficiais multilaterais como a respeitada Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados americanos (OEA).

A CIDH manifestou em carta entregue ao governo brasileiro no dia 1 de abril, sua preocupação e pediu a imediata suspensão do processo de licença da usina e também recomenda que governo brasileiro só inicie a construção desta mega obra, depois de ouvir as comunidades indígenas da região que serão afetadas pela usina.

O organismo internacional pede ainda que sejam permitido às comunidades atingidas o livre e integral acesso ao Estudo de Impacto Sócio Ambiental do projeto, de forma que lhes sejam plenamente compreensível, inclusive que este estudo seja traduzido para os idiomas indígenas locais.

Os integrantes do governo brasileiro se mostraram profundamente irritados com a carta da CIDH, o que considerou uma intromissão indevida nos assuntos internos do Brasil. Muitos dos integrantes do governo se notabilizaram, enquanto oposição, pela defesa dos direitos humanos época em que defendiam com veemência a atuação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a mesma que agora contestam.

No Senado da República a principal voz de apoio à posição do governo foi o ex-presidente Fernando Color de Mello, famoso por haver perdido o mandato por corrupção, e que hoje integra a base de apoio da presidente Dilma Roussef, além de presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Enquanto o governo brasileiro diz ter cumprido todas as etapas de consulta às comunidades, os movimentos ambientalistas denunciam que na verdade o que houve foi uma grande manipulação para dar uma aparência de legalidade à usina. No dia 25 de março último Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) publicou uma carta aberta à opinião pública nacional e internacional onde denuncia esta prática dos governo do Brasil, o título do documento é “ O Diálogo que não houve”.

Mesmo garantido que Belo Monte é inegociável e irreversível, o governo brasileiro tem sentido a dureza das críticas e vem amenizando o discurso pra defender a obra.

Depois de receber com a presidente Dilma em audiência um grupo de mulheres do movimento dos atingidos por barragens, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho assim se manifestou: “ Vamos nos antecipar em Belo Monte para que o impacto da obra não seja pernicioso. Dá pra fazer de um jeito e de outro. Dá pra fazer de um jeito mais humano com respeito maior aos indígenas e à população local”.

Esta manifestação da OEA através da CIDH foi uma vitória importante na defesa das comunidades locais e do meio ambiente, mas a luta é longa e vai demandar muito esforço e atenção das organizações ambientalistas e de Direitos Humanos.

Rosalvo Salgueiro

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Depor Kadaf, é tarefa exclusiva do próprio povo líbio!


A tarefa de depor o ditador Kadaf é do povo líbio que pode e deve receber apoio solidário, político e até estratégico das organizações populares e de Direitos Humanos de todo o mundo.

Não podem, porém, receber ajuda militar em homens, máquinas e armamentos de governo algum, principalmente das potências, sem ferir mortalmente a legitimidade de sua luta. Se aceitar tal auxilio estarão vendendo soberania e a independência do governo que vierem a construir.

As potências que agora agem tão ferozmente contra o ditador Kadaf eram seus sócios e lhe propiciaram apoio e sustentação política e militar, tudo em razão do petróleo que há no solo líbio. É de se perguntar: Por que não agem de igual forma “humanitária” contra os demais ditadores que sustentam no próprio mundo árabe e africano?

As bombas da OTAM são tão mortíferas quanto as armas de Kadaf, e igualmente injustas, não é verdade que atingem apenas alvos militares, há sobejos e confiáveis relatos de ataques a hospitais, escolas, igrejas e outros lugares onde sabidamente se abriga a população civil.

A propaganda e a contra informação da OTAN e aliados tentam nos fazer crer que eles são anjos que vêm em socorro de pobres, crianças e mulheres que estão sendo massacrados, e tentam colocar o resto do mundo diante do dilema: ou apóia a ação intervencionista ou apóia Kadaf. Nada mais falso, é possível sim apoiar o povo em sua luta pela Paz e Justiça!

Devemos apoiar as iniciativas diplomáticas propostas pela Alemanha e outros países para o conflito agora colocado, e, continuar apoiando os líbios em sua luta para superar as condições de miséria e intimidação em que vivem, e ajudá-lo a construir uma nova Líbia, livre, independente, fraterna e solidária.

Ao encerrar sua fala, Rosalvo distribuiu o texto de uma resposta que mandou à organização de solidariedade internacional Avaaz, que segundo avalia, está equivocada e acaba por prestar ajuda às potências na sua propaganda de “bom mocismo”.

Queridos amigos do Avaaz,

Salve!

Eu tenho acompanhado e participado de exatamente todas as solicitação de vocês, porém não posso concordar com a manipulação e as atrocidades que a França, a Inglaterra, os USA e a OTAN vem praticando na Líbia.

Apoiei e apoio decididamente as manifestações e a luta não-violenta do povo líbio contra o ditador Kadaf, porém ao ver que os tais "rebeldes" tinham e têm até artilharia antiaérea vi que já não se trata de desobediência civil, mas de guerra civil, e não tenho dúvidas que esta é patrocinada pelas "potências ocidentais" e a motivação é de ordem econômica, estratégica e geopolítica, nunca humanitária em favor do povo líbio, como tentam fazer parecer.

Ao se engajar de modo tão acrítico e parcial nesta peleja, a Avaaz compromete sua política e se torna mais uma arma dos que não respeitam a autodeterminação e a soberania do povo líbio.

Por favor, reflitam, pois sempre considerei vocês uma das mais importantes ferramentas da luta dos pequenos em defesa dos Direitos Humanos, da Justiça e da Paz.

Fraternalmente,

Rosalvo Salgueiro

terça-feira, 1 de março de 2011

Esquivel é acusado por Álvaro Uribe perante judiciário colombiano. Pode?


O ex-presidente colombianos Álvaro Uribe, publicou na quinta feira ( 20-02-2011) em seu Twitter, que apresentou uma Queixa Crime contra o argentino Adolfo Pérez Esquivel, ativista dos Direitos Humanos e Prêmio Nobel da Paz, por injúria e calúnia.

Além de acusar o argentino de ser patrocinador das FARC, afirma; “... combati com transparência a todos os criminosos e agora denuncio as infâmias de Esquivel...”

Neste processo, Uribe é representado por Jaime Lombada, que admitiu, ao jornal El Tiempo, que Esquivel não poderá ser preso, ainda que responda processo penal na Colômbia, visto que as leis colombianas prevêem que Esquivel teria que comparecer voluntariamente perante o Tribunal da Colômbia para responder às acusações.

Os dois, Esquivel e Uribe, têm protagonizado um intenso debate, Uribe em seu twitter e Esquivel através dos meios de comunicação, em razão das recentes declarações do Nobel da Paz sobre a “política de paz” levada a efeito pelo ex-governante colombiano.

No fórum “Construindo a Paz na Colômbia” realizado esta semana em Buenos Aires, Adolfo Esquivel afirmou que Uribe não tem vocação para a paz, disse também que tanto Álvaro como seu primo Mario Uribe, que está condenado a mais de sete anos de prisão por violações aos Direitos Humanos, mantém vínculo estreito com os grupos paramilitares do país andino.

Uribe vem respondendo com veemência ao Prêmio Nobel da Paz de 1980, e o acusa de “patrocinador de terroristas” da guerrilha e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Segundo Uribe, o governo colombiano desmantelou o paramilitarismo faltou, entretanto levar ao cárcere o argentino, afirmou nas últimas horas no seu twitter.

Adolfo Esquivel afirmou que: “... para promover a paz é necessário ter autoridade e valores democráticos e não ser cúmplice do terrorismo como vocês”

Esquivel disse à emissora de rádio La W, que não tem qualquer informação sobre a demanda do colombiano, mas disse também que está disposto a apresentar às autoridades judiciais colombianas as provas de que grupos paramilitares têm recebido treinamento uma fazenda de propriedade de Santiago Uribe, irmão do ex-presidente.

O SERPAJ-Brasil manifesta total, absoluta e incondicional solidariedade ao irmão de fé, companheiro de lutas e líder maior Adolfo Perez Esquivel, assim como faz suas cada palavra e ação de Adolfo e se põe em mobilização permanente contra a mais esse atentado contra as liberdades democráticas e aos Direitos Humanos.

Por Rosalvo Salgueiro

Versão livre: vem do:

http://www.europapress.es/latam/politica/noticia-colombia-argentina-uribe-presenta-demanda-contra-nobel-paz-adolfo-perez-esquivel-supuestas-calumnias-20110224171657.html

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

NOBEL DA PAZ PARA LIU XIAOBO: Militante Chinês dos Direitos Humanos


O Prêmio Nobel da Paz de 2010 foi, merecidamente, concedido ao chinês Liu Xiaobo, defensor dos Direitos Humanos que está preso condenado a 11 anos por suas atividades em defesa dos direitos humanos.
O governo chinês , que é um violador contumaz dos Direitos Humanos, protestou e diz que a premiação pode prejudicar as relações diplomáticas da China e a Noruega, a cujo parlamento pertence o Comitê Nobel.
A luta, não violenta, de mais de 20 anos de Liu enfrentando uma das mais ferozes ditaduras que se conhece, fez dele um símbolo de resistência, o reconhecimento mundial e a premiação vão dar ao povo chinês mais instrumentos e visibilidade na defesa dos direitos do povo que há muito vive submetido.
A escolha de Xiaobo resgata o próprio Nobel da Paz, que tem sido outorgado vez ou outra a quem absolutamente não o merece, muitos belicosos já o receberam apenas para o Comitê Nobel fazer média com os poderosos do mundo, o caso da premiação do Barak Obama pode ser tido como exemplo dessa afirmação. Até Henri Kissinger já o recebeu.
Liu Xiaobo, se junta a outros como Martin Luther King, Nelson Mandela, Adolfo Esquivel, Betty Wiliams, Mairead Corrigan, Madre Tereza de Calcutá, Rigoberta Menchú, Shirin Ebadi, Dali Lama, Desmond Tutu e tantos outros que honram e dignificam o prêmio.
O SERPAJ-Brasil como parte do SERPAJ – América Latina, através do seu presidente internacional e também Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, dá as boas vindas a Liu Xiaobo e se soma à sua luta que é de todos nós. A violação dos Direitos Humanos, por mais insignificante que pareça e por mais escondida que se a cometa, nos mais distantes rincões do planeta, ameaça a humanidade inteira. Defendemo-la!
Por Rosalvo Salgueiro

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

SERPAJ-Brasil cobra do governo do Irã, respeito aos Direitos Humanos!





Rosalvo Salgueiro, coordenador nacional do Serviço Paz e Justiça SERPAJ-Brasil, cobra do governo iraniano, respeito aos Direitos Humanos, e do governo brasileiro coerência diplomática e gestões mais firmes para salvar a vida da viuva Sakineh, mulher condena à morte por apedrejamento.



O governo revolucionário do Irã, que inicialmente apoiei e defendi, hoje se encontra completamente afastado dos ensinamentos do Profeta Mohamad, que a paz de Alah esteja com ele.
Em um espetáculo de horror, condenou a jovem senhora Sakineh Mohammadi Ashtiani à morte por apedrejamento, pelo fato de, depois de viúva, haver mantido relações sexuais, com dois homens em diferentes ocasiões, considerados ilegais pelas autoridades.
O presidente Lula ofereceu asilo político à condenada, caso o governo iraniano concorde. Mesmo considerando que Lula age pensando mais nas eleições brasileiras do que no aspecto humanitário da questão, quero apoiar integralmente a oferta que o presidente Lula fez.

O governo brasileiro, por sua diplomacia deve pressionar o governo iraniano e cobrar-lhe respeito aos Direitos Humanos, sei que isso seria pedir muito a Lula que tem dado sobejas demonstrações de conivência e de não se preocupar tanto com as práticas dos seus amigos ditadores nesse quesito. Sim, quesito!
Para o governo brasileiro, Direitos Humanos tem sido apenas um quesito em suas relações internacionais. Infelizmente!

Como se vê, a oferta do governo tem foco mais nas questões eleitorais do Brasil, do que em relação à defesa dos Direitos Humanos, Lula está sendo cobrado por apoiar incondicionalmente as mais brutais e ferozes ditaduras do planeta na atualidade.

Em pleno século vinte e um, não podemos admitir absurdos e barbaridades como esta, e continuar a nos relacionar amistosa e entusiasticamente com esses ditadores assassinos e sanguinários, como se tais práticas fossem questões internas e que não nos dizem respeito.

É de se perguntar qual o tratamento dado, pelo governo machista e tirano de Armahdinejad aos homens com que dona Sakineh se relacionou.
Foram pelo menos processados? Esta pergunta não significa reclamar igual punição aos homens, mas igual tolerância para a mulher.
Os movimentos de emancipação e de igualdade feminina, por todo o mundo tem se manifestado timidamente, principalmente no Brasil. É de se esperar que façam mais!

A nenhum governo é dado evocar aspectos e particularidades culturais para violar os Direitos Humanos, pois estes são direitos universais e não deste ou daquele povo, devendo ser igualmente observados e respeitados em todos os lugares.
Qualquer ato de violação aos Direitos Humanos, por mais insignificante que pareça, ainda que praticado nos mais distantes rincões da terra, ameaça a humanidade inteira em todo o planeta.

Por: Rosalvo Salgueiro

Coordenador Nacional do SERPAJ-Brasil

sábado, 3 de julho de 2010

Belo Monte: O Cacique Kunué Kalapalo pede a Geraldo Alckmin que se engaje na luta de defesa do Rio Xingu


O cacique Kunué Kalapalo, no último dia 26 de junho se encontrou casualmente com Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, que caminhava pelas ruas de Embu das Artes, e não perdeu tempo foi logo pedindo ao político ajuda para impedir a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xinguno Estado do Pará. Alckmin explicou a Kunué que este é um tema do governo federal, porém Kunué demonstrando habilidade e conhecimento dos meandros da política dos brancos disse que o governador de um Estado como São Paulo tem muita força e pode ajudar se quiser.

Kunué está morando na periferia de São Paulo onde além da própria família lidera um grupo de índios kalaplos oriundos da região do Xingu, Estado do Mato Grosso, que aqui estão para os filhos estudarem, e sobrevivem vendendo, na ferinha de Embu das Artes, artesanato que eles mesmos produzem ou trazem do Xingu,.

Comentando o desastre ecológico que será a usina Belo Monte, Kunué disse que todos os indígenas do mundo precisam se posicionar contra a destruição que a ganância do homem branco está causando à natureza.
Acusou Lula de estar enganando alguns índios inocentes que ainda tem dúvida das intenções desse governo que não ama nem respeita a terra. Segundo Kunué, esses índios ingênuos se deixam usar porque pensam que o Lula tem boas intenções, felizmente são poucos e não são caciques importantes como os caciques Megaron Txucarramãe ou Raoni Metuktire, “Do jeito que a coisa vai, logo não vamos nem ter peixe pra celebrar a festa do Quarup”.

Depois de conversar com Geraldo Alckmin, Kunué disse que foi uma pena esse homem não ser eleito presidente, eu acho que ele ia respeitar mais a nossa mãe natureza. “Ele ficou meu amigo e acho que pode e vai me ajudar”

A atitude de Kunué bem demonstra o engajamento dos povos indígenas, a lucidez e o respeito com que tratam os rios, as matas e a terra, enfim todo o meio ambiente, eles têm a exata noção e a consciência sempre presente de que o ser humano é apenas parte e não senhor natureza.
por: Rosalvo Salgueiro

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Belo Monte é Pouco, Lula agora inicia a construção de uma Usina Nuclear!


Em demonstração de absoluto desprezo pelas questões de defesa de um meio ambiente saudável e equilibrado, também pela participação popular assim como pela opinião das organizações ambientalistas, a Comissão Nacional de Energia Nuclear concedeu no dia 31 de maio a licença para a construção dos prédios, inclusive o que abrigará o reator da usina Angra 3, no paradisíaco município de Angra dos Reis, no litoral Sul do estado do Rio de Janeiro.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já havia concedido a licença ambiental desde o ano passado, 2009.

Somente com os estudos que instruíram a licença, foram gastos R$ 20 milhões, que no dizer do governo foi uma bagatela. Segundo o presidente da CNEN, Odair Dias Gonçalves o custo normal para essa licença seria de R$ 100 milhões, a economia foi possível porque o governo usou exatamente o mesmo projeto da usina Angara 2, já em operação,construída na época da ditadura militar, fato que representou uma economia de R$ 80 milhões. Por conta dessa semelhança, grande parte do projeto de engenharia a ser utilizado na nova usina está pronto. Uma parcela considerável dos equipamentos importados já foi adquirida, principalmente os de grande porte.

Segundo a Eletronuclear as obras começam já no dia seguinte, 1º de junho.
As obras de conclusão de Angra 3 foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento – PAC e terá um custo estimado de R$ 9 bilhoes e a previsão é de que Angra 3 esteja concluída em dezembro de 2015. Quando estiver em operação, esta usina terá uma capacidade de geração de 1,405MW.

A cada dia que passa os brasileiros vão descobrindo novas facetas do presidente Lula e seu governo. Lula e o PT assumiram o governo do país, em janeiro de 2003, sob o signo das mudanças:
Prometiam moralidade e honradez na administração da coisa pública. Revelou-se pouco depois no mais corrupto governo da história do Brasil chafurdando no lamaçal do “mensalão”!
Prometiam transparência e participação cidadã nas decisões importantes da administração. O que se viu e se tem visto é brutal repressão e manipulação a exemplo do que tem ocorrido no processo de aprovação e viabilidade da Usina Hidroelétrica de Belo Monte!
Prometiam defesa do meio ambiente e ecologia.O que se viu foi a liberação dos transgênicos e a retomada a construção de hidrelétricas na bacia do Rio Amazonas e agora retoma a construção da usina nuclear Angra 3!
O que mais falta?

Por Rosalvo Salgueiro

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Polêmico Programa de Direitos Humanos do Governo Lula.



Rosalvo Salgueiro, Coordenador Nacional do SERPAJ-Brasil, comenta o programa de direitos humanos do governo Lula:

O governo Lula conseguiu constranger e desagradar quase a totalidade da sociedade brasileira com o seu Programa Nacional dos Direitos Humanos 3. Não sem razão!

Em que pese o fato positivo do país ter um programa nacional de promoção e defesa dos Direitos Humanos, não se pode ignorar a desastrosa atuação das autoridades responsáveis por essa importante área numa sociedade com profundas desigualdades e injustiças como a nossa.

O principal problema desse programa não está em qualquer dos pontos polêmicos que trás no seu bojo, mas na arrogância com que o governo maneja a questão. Não é verdade que este plano seja o resultado de um amplo debate com toda a sociedade como os seus defensores vêm afirmando. Foi, isto sim, elaborado num processo de consulta e de uma série de encontros que reuniu apenas alguns setores da sociedade, notadamente alguns grupos que tradicionalmente lutam na defesa dos Direitos Humanos. Ainda assim, não todos!

O governo lula tem a mania de conversar somente com os seus e depois afirmar que o grupo consultado representa toda a sociedade brasileira.

A própria forma e a data escolhida para a implantação do programa demonstram a pouca ou nenhuma disposição para o diálogo das autoridades sobre a questão. Por decreto e durante o recesso parlamentar.

Não podia o governo esperar que tal prática fosse capaz de empurrar de goela a baixo da sociedade pontos tão polêmicos como a admissão do aborto, a limitação de competência do Poder Judiciário, restrição à liberdade de imprensa e ainda a limitação de garantias constitucionais dos cidadãos, como o direito de petição.

A sociedade brasileira é hoje muito mais ampla, plural e organizada do que supõem ou imaginam o governo e os grupos que o apóiam, e não vai , por isso mesmo, aceitar jamais ser garroteada por uma minoria, por mais bem intencionada e preparada que pareça.

É, portanto necessário e urgente que se retome o diálogo com a sociedade, tomando-se em conta todo o espectro e diferenças de opiniões que a compõe, sem deixar de fora ninguém, para então produzir um verdadeiro programa que possa assegurar aos cidadãos brasileiros as garantias e defesa dos seus Direitos Humanos, inclusive os de terceira geração, aqueles, que representam o direito que todos têm ao meio ambiente sadio e equilibrado, o direito a paz e ao desenvolvimento e o direito de co-propriedade do patrimônio comum da humanidade: a terra, a água, o ar, a energia e a luz do sol e dos ventos, por exemplo.

Tentativas de manipulações como esta, facilitam as ações e articulações das forças retrógradas da sociedade e nos coloca na vexatória situação de ser praticamente o único pais da América Latina a sofrer décadas de ditadura militar que ainda não acertou contas com o seu passado.

Há, entretanto no programa pontos importantes que não podem ser alterados, suprimidos ou diminuídos, um deles é a criação de uma comissão para apuração da verdade dos fatos ocorridos naqueles tristes anos.

Sem esses esclarecimentos e reparações, não há como se falar em reconciliação e esquecimento. Há dois mil anos Jesus Cristo já ensinava: " Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertara". Jo. 8,32

Rosalvo Salgueiro